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quinta-feira, 1 de julho de 2010

OS "CRISTÃOS" IRÃO MELHORAR O BRASIL?

O Brasil, ao que parece, é o maior país católico das Américas. Entretanto, independente da histórica catequese forjada neste país e da grande influencia do catolicismo romano em vários aspectos da vida do povo brasileiro, o rápido crescimento do número de crentes evangélicos salta às vistas. Católicos e evangélicos formam a grande massa de cristãos no país em que vivemos, sendo minorias os cristãos ortodoxos, espíritas cristãos e gnósticos.
Entre católicos e protestantes, a cada novo dia, são centenas de novos convertidos: caristmáticos, pentecostais e, principalmente, neopentecostais, fundam novas igrejas e grupos dos quais jorram curas milagrosas, transes coletivos e exorcismos públicos, dirigidos quase sempre por padres galãs e pastores bem pouco humildes - os auto-intitulados "discípulos", "apóstolos", "bispos", "profetas", etc.
O número de cristãos aumenta, mas, infelizmente, não há qualquer melhoria significativa na sociedade brasileira. O maior país católico vem deixando a desejar em matéria de amor ao próximo, enquanto os irmãos e irmãs evangélicos, independente de todas as pregações virtuais e do discurso amoroso de suas lideranças - belas palavras de humildade, perdão, miséricórdia e bondade - os irmãos evangélicos em sua maioria repetem com nova roupagem as arbitrariedades cometidas por seus pais católicos.
A contradição começa entre os próprios cristãos: católicos e protestantes há séculos não se "tragam". Para os evangélicos, os católicos continuam sendo, no mínimo, equivocados religiosos, no máximo, adoradores de imagens, pagãos, idólatras, seguidores da besta 666 (o papa). Já para as ovelhas de Bento XVI, católicos convictos, malgrado o discurso ecumênico da Igreja de Roma, a Igreja Católica Apostólica Romana é a única e autêntica e verdadeira Igreja deixada pelo Cristo na Terra: fora dessa Igreja nenhuma salvação é possível, visto que "Cristo é a Igreja".
O que podemos dizer, então, do que católicos e evangélicos afirmam sobre os membros de outras religiões? Foi usando o Nome do Filho de Deus que grupos cristãos em ascensão perseguiram, prenderam, torturaram e assassinaram membros de outras religiões e cultos em praticamente todos os continentes. E hoje, em nome do mesmo Nazareno, católicos e evangélicos, no Brasil e na África, principalmente, tratam com enorme falta de respeito e humildade membros de religiões de matrizes afro-indígena.
Missões cristãs, sob a propaganda de levar educação e saúde para comunidades indígenas esquecidas pelo governo, levam consigo idéias e valores alheios às culturas nativas: implantam a cultura do pecado, o temor ao diabo cristão (ícone essencial e golpe ideológico de todas as igrejas); fundam igrejas nas quais se exige dízimo (que em algumas aldeias é pago com frutas) e, o pior de tudo, desmoralizam e diabolizam os indígenas que, mediante as catequeses católico-protestantes, relutam em "aceitar Jesus como seu salvador pessoal".
O que falar, então, dos ataques ideológicos difundidos pela grande imprensa evangélica-católica, contra os cultos afro-brasileiros? Há alguns anos, o discurso extrapolou a teoria - cristãos passaram a atirar bíblias em terreiros, a dar com a bíblia na cabeça de afro-religiosos, a invadir e destruir patrimônio umbandista, autênticos atos de vandalismos encetados por parte daqueles que deveriam amar ao próximo como a si mesmos.
E pra piorar a situação, não é incomum encontrar um cristão simpatizante do espiritismo kardecista que engrosse o caldo do discurso evangélico - o mesmo espírita satanizado pelo protestante -, afirmando que Umbanda, Candomblé e Jurema, "são cultos ultrapassados, de espíritos viciados e atrasados, entidades espirituais inferiores". Isso nos leva a refletir para onde o cristianismo de nossos dias irá conduzir a sociedade brasileira.
Vejamos um vídeo interessante. É assistir e refletir.

video

Observemos, em meio a tanta imoralidade e falta de amor, as contradições difundidas aos quatro ventos pelos "líderes" cristãos de nossos dias: "não devemos nos envolver com as coisas do mundo, pois nossa luta é espiritual", "trevas não se misturam com luz, portanto, crente não casa com espírita", "como se livrar de um Testemunha de Jeová", "não somos do mundo", etc. etc. etc. Cheiro forte de hipocrisia - pastores pregam uma separação radical das "coisas mundanas", mas não deixam de se envolver, por exemplo, com política da pior qualidade -a política partidária - havendo inclusive uma bancada evangélica no congresso.

Igrejas organizam-se em forma de empresas, com automóveis e bens imóveis sendo usufruidos por pastores e apóstolos - mas que são bens que são propriedades das igrejas, havendo inclusive seminários em cujas grades curriculares consta a disciplina "administração empresarial". Tantas coisas do mundo conquistadas via dízimo, para honra e glória do Deus que sempre foi Senhor e dono de toda Honra e toda Glória (mas também para o bem estar material, para os vôos e hotéis cinco estrelas, de apóstolos e profetas "escolhidos desde antes dos séculos, predestinados, para a realização das obras de deu$ na terra". Sem falar das lojas evangélicas que andam vendendo "moda gospel", blusas, calças e demais adereços com estampas "Jesus Cristo é o Senhor"...

Tiro o chapéu para os poucos cristãos que realmente vestem a camisa do Evangelho, realizando trabalhos que ultrapassam o nível da filantropia e procuram, literalmente, romper com as amarras do mundo e alcançar a emancipação social-moral-espiritual via Amor, difundida por Jesus de Nazaré. Entretanto, é fato inegável: pregação bíblica do Jesus Messias - buscar os tesouros do Céu, onde nem o ladrão rouba, nem a traça corrói; dividir os bens materiais com os membros da comunidade cristã, conforme suas necessidades; vender as propriedades e doar o dinheiro aos pobres, etc. - essas Palavras há muito vêm sendo sufocadas, abandonadas, conscientemente banidas dos púlpitos das igrejas e da vida de quase todos os cristãos do mundo. Esquecidas pela grande maioria dos fiéis, que geralmente buscam uma vitória muito individual e meramente financeira, foram substituídas por uma "teologia da prosperidade", sobre a qual direi algo em futuras postagens e apresentarei outros vídeos.