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quinta-feira, 17 de abril de 2014

COMEMORAÇÕES DO DIA DO ÍNDIO

Boa tarde, queridos leitores!

Finalmente encontro tempo para postar alguma notícias, mesmo que rapidamente.

Vim passando pra lembrar que no mês de abril é comemorado o Dia do Índio e que, no Rio Grande do Norte, três aldeias irão realizar atividades culturais diversas.

Recebi a programação da Aldeia Katu (Canguaretama/Goianinha - RN). Segue o cartaz do evento:


Na Aldeia Trabanda (Saji - Baía Formosa/RN) haverá atividade no mesmo dia. E na Aldeia Mendonça do Amarelão (João Câmara/RN), os eventos ocorrerão na terça-feira, 22/04 a partir das 09:00 horas.

Na Casa Sol Nascente estaremos realizando um estudo sobre Umbanda, no último domingo de abril (27/04). Conversaremos um pouco sobre a história dessa religião brasileira e algumas de suas principais características. Em seguida, daremos um toque para Caboclos e Mestres.


Grande abraço! Salve a Força da Jurema!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

INAUGURAÇÃO DA CASA SOL NASCENTE (MACAÍBA/RN)


No município de Macaíba, próximo ao Centro de Treinamento do América, será inaugurada a CASA SOL NASCENTE - um centro de estudos que abordará, em suas atividades, principalmente, a cultura indígena e cabocla do Rio Grande do Norte e vertentes de espiritualidade holística.

A inauguração da Casa será no domingo, 09/02/2014, a partir das 13 horas.

As atividades programadas para o dia, serão:

- Às 13:00 horas: exposição e venda de pinturas e trabalhos artesanais, da autoria dos artistas plásticos Rousi Gonçalves, Walter Júnior e Renato Tapuy'yo.

- Às 14:30: palestra sobre espiritualidade indígena no Rio Grande do Norte, com o historiador e cientista da religião Rômulo Angélico (que estará vendendo seu livro "Espiritualidade Indígena e Culto à Jurema no Rio Grande do Norte").

- Às 16:00 horas: Sagrado Toré dos índios Potiguara.


Além dessas atividades, a Casa Sol Nascente manterá funcionando um brechó; e uma exposição permanente intitulada IMAGENS CABOCLAS (no "Museuzinho Mestre Emanoel Germano") - exposição que contém objetos e imagens de cultos indígenas e de religiões "afro-brasileiras".

Além de atividades periódicas do gênero, na Casa em breve estarão ocorrendo estudos de Tupi Antigo, palestras sobre temas afins e projetos musicais.

Viva a verdadeira cultura popular de nosso estado!



quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

III ADJUNTO DE JUREMA NA ALDEIA KATU


Na lua crescente de janeiro (sábado, 11/01/2014) estaremos realizando mais um encontro na comunidade indígena Katu dos Eleutérios - localizada entre os municípios de Canguaretama e Goianinha, litoral sul do Rio Grande do Norte.

Será uma maravilhosa oportunidade para nos confraternizarmos - juremeiros, simpatizantes, historiadores, antropólogos e demais estudiosos e admiradores da cultura indígena - e trocarmos muitas ideias e vivências.

A programação proposta para as atividades do dia, é a seguinte:

- Para quem vai de micro-ônibus, o ponto de encontro será a parada do Carrefour (próximo ao Natal Shopping) às 8:00 horas da manhã.

- Por volta das 10:00 horas, chegaremos na entrada da comunidade. Segue uma caminhada de cerca de 30 minutos (Nessa caminhada, pediremos licença aos Encantados que protegem a aldeia. Quem sentir no coração deverá levar fumo, mel e frutas não-ácidas para a Florzinha das Matas - que é o Nume protetor da região).

- Uma vez tendo chegado à comunidade, armaremos as barracas e seguiremos em breve caminhada para interagir com os moradores, conhecer os principais lugares e um pouco da história local.



- Às 15:00 horas, realizaremos o estudo "Espiritualidade Tapuy'ya" (um dos temas que venho estudando continuamente. Já se vão nove anos de pesquisa...), na escola João Lino da Silva (primeira escola indígena do Rio Grande do Norte). Paralelo à palestra, estará sendo vendido artesanato indígena e livros de minha autoria.






Às 19 horas iniciaremos nosso sagrado Toré. Esse será um Toré aberto aos visitantes. Entretanto, como sempre peço a todos e todas que queiram participar de nosso ritual, que NÃO comam carne vermelha,  NÃO façam sexo e NÃO usem drogas (lícitas ou ilícitas, tanto faz) um dia antes e no dia do evento. Esse é um ponto muito importante. Respeitemos as elevadas vibrações dos seres que trabalham na Força da Jurema.

Retornamos no dia seguinte, domingo, 12/01, em horário a combinar.

OS ADJUNTOS DE JUREMA NO RIO GRANDE DO NORTE

"Adjunto de Jurema" é o nome que se dava a rituais indígenas realizados em regiões do Nordeste brasileiro, por volta do século XVIII. Desde o início da colonização a espiritualidade nativa foi vista com maus olhos pelas igrejas cristãs. Assim, diversas práticas medicinais e cultuais indígenas foram classificadas pelos cleros e autoridades portuguesas e holandesas como superstição e feitiçaria.

Os adjuntos foram proibidos e muito índio morreu por teimar em realizá-lo às escondidas, no meio das florestas. Semelhante ao índio perseguido, Mestres africanos e europeus também foram injustiçados, perseguidos por vivenciar suas concepções do Divino.

Luís da Câmara Cascudo, no clássico Meleagro, diz sobre aqueles encontros:

Os indígenas, catequizados por fora, ficaram por dentro com sua crença. E, quando possível, satisfaziam o ritual defeso, dançando a dança de Jurupari ao som dos maracás e roncos dos instrumentos sagrados [...]. Uma festa secreta dessa indiada, no século XVIII, dizia-se "adjunto de jurema". Adjunto é reunião, sessão, agrupamento. Faziam a bebida com a jurema e bebiam-na no meio de cerimônias que não deixaram rasto. Era remédio, alegria, desabafo e sublimação. Bebiam, sonhavam, amavam. Pensam todos que as festas valiam o atrevimento inaudito da realização clandestina [p. 27-28].

Cascudo cita, ainda, a morte do índio Antônio, preso em 02 de julho de 1758, na então Aldeia de Mepibú (atual cidade de São José de Mipibu)  - vítima de um sumário realizado contra os índios da citada comunidade, "que fizeram adjunto de jurema, que se diz supersticioso" [p. 28].

Do século XVIII ao presente, malgrado as perseguições, muitos outros rituais foram realizados nas comunidades rurais do estado em que vivemos. Pude ouvir na Aldeia Katu, por exemplo, senhoras contarem suas memórias a respeito dos trabalhos de caboclo realizados nas matas, nos quais os participantes ficavam seminus, corriam nas florestas, dançavam, cantavam e comiam carne com mel de abelhas, além de beberem seus "cachimbos".

Nas "sessões espíritas" de diversos terreiros da Penha, por outro lado, assisti inúmeras vezes os Mestres e Caboclo arriarem para curar com defumações, sucções e passes; orientarem banhos de plantas, etc. - o que demonstra que as perseguições de ontem e de hoje não conseguiram destruir nosso amado e sagrado Catimbó.

Assim, no dia 25/09/2010, realizamos um encontro nas matas da Aldeia Katu - reunindo índios da comunidade; estudantes de Ciências da Religião da UERN; membros de ordens esotéricas; simpatizantes; e filhos de fé e dirigentes do Terreiro Tupinambá - para festejar e celebrar nossa Jurema. A esse encontro, chamei "Adjunto de Jurema", a princípio para enfatizar a continuidade dos cultos juremeiros ao longo dos séculos de opressão.

Dois anos depois, no dia 03/11/2012, realizamos o segundo Adjunto, também nas matas da Aldeia Katu, novamente com o apoio do Terreiro Tupinambá (localizado na zona urbana de Canguaretama). Compareceram cerca de quarenta pessoas ao evento - fora os caboclos da aldeia e os membros do citado terreiro.


Em 30/01/2013, organizamos um Adjunto de Jurema belíssimo na Aldeia Amarelão (João Câmara, litoral sul do Rio Grande do Norte). Chegamos quase a cem pessoas, reunindo pesquisadores, visitantes e membros da comunidade (inclusive de um terreiro local) - em um dia intenso de atividades.




Domingo, 22/12/2013, organizamos junto a comunidade Amarelão o segundo Adjunto de Jurema da aldeia - encontro que contou com uma quantidade bem menor de pessoas, mas que foi muito profundo e instrutivo. Com todo respeito e reverência, entramos na mata, coletamos as plantas necessárias e fizemos nossa Jurema conforme a  produziam os índios Tapuy'ya de décadas atrás. Além disso, nosso estudo sobre as divindades indígenas foi muito tranquilo e produtivo.



Atualmente, em homenagem aos índios e mestres que sofreram violência e preconceitos diversos, mas que não deixaram de lutar e preservar nossa Tradição ancestral, seguiremos com mais um encontro. Preparem seus maracás, façam suas dietas, para o III Adjunto de Jurema do Katu - V Adjunto contemporâneo realizado no Rio Grande do Norte.

Salve a FUMAÇA!
Maravilhoso 2014 para todos e todas.