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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

II ASSEMBLÉIA INDÍGENA DO RIO GRANDE DO NORTE

Nos dias 22 e 23 de novembro ocorreu a II Assembléia Indígena dos Rio Grande do Norte. O encontro contou com a presença das comunidades indígenas: Katu dos Eleutérios (Canguaretama e Goianinha), Aldeia Trabanda (Baía Formosa - Saji), Mendonça do Amarelão (João Câmara), Caboclos e Banguê (Açu) e Tapuy'ya Tapará (Macaíba).

No evento foram apresentadas reivindicações das comunidades, além de ter sido avaliada a primeira Assembléia Indígena do RN, realizada em 2009. Para outras informações sobre o evento, consultar os endereços:


e


Grande abraço do Tapuy'ya do Ganzá!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

URUTÓPIÃG: A religião dos Pajés e dos Espíritos da Selva

Faz pouco tempo que acabei de ler URUTÓPIÃG. Eis um bom livro, para quem tem interesse em se aprofundar na espiritualidade indígena. URUTÓPIÃG é a religião dos paié Saterê-Mawê (povo do tronco Tupi, que vive em um território fronteiriço entre os estados do Amazonas e do Pará). É uma das tantas Tradições Sagradas que teima em resistir, malgrado os mais de 300 anos nos quais catequeses católicas e protestantes investiram contra a cultura do povo Mawé e outras sociedades indígenas. Vejamos algumas palavras do autor do livro - o índio Yaguarê Yamã:

"Esta é uma pesquisa feita por meio de conversas com pajés, os sacerdotes da religião antiga dos Mawés. Apesar de a área indígena Andirá-Maráw e suas vizinhanças estarem completamente cheias de leis cristãs desembarcadas nos primeiros contatos entre brancos e índios há 300 anos, quando os franciscanos portugueses implantaram a crença católica na Amazônia, e apesar de a cultura Mawé vir sendo novamente bombardeada a algumas décadas, dessa vez por dogmas e princípios de religiões evangélicas, com destaque para a igreja Adventista, Pentecostal e Assembléia de Deus que, juntas com a igreja Católica, arrebanharam a maioria quase absoluta das pessoas pertencentes a essa etnia, apesar de tudo isso, ainda assim, calada e tímida, como os próprios Mawés, insiste em existir uma crença tão antiga quanto a origem dos "filhos do guaraná". A crença na Urutópiag.
Resistindo quase que por "magia", sobrevive numa atualidade tão difícil quanto foi desde os tempos das colônias, quando houve a aculturação forçada promovida pelos padres para obrigar os nativos a abandonarem suas crenças e aceitar a fé cristã, assim vive nos dias de hoje, onde é alvo de preconceito de evangélicos que, não contentes com os milhares de índios convertidos, tentam apagá-la totalmente de suas lembranças, declarando-a imoral e pagã.
O índio, por sua vez, esqueceu seus princípios. Todo conhecimento sobre sua origem esbarra no seu conteúdo. A falta de conhecimento sobre sua crença origina é o resultado de séculos de esforço dos pastores e padres para fazê-lo esquecer sua cultura que depende muito de sua crença religiosa.
Ainda assim, ela sobrevive. Mesmo que seja pelo cuidado de pouquíssimas pessoas que, também como ela, são severamente criticadas pelos "evangelizadores do mundo".
Dessas pessoas, são mais os pajés que ainda lhe dão crédito, aqueles que têm nas mãos, o zelo absoluto por ela. E dos pajés, geralmente índios idosos que ainda conhecem bastante sobre seus princípios. Foram eles, algumas dezenas de pessoas, entre elas cristãos convertidos que apesar de serem batizados e seguir os preceitos do cristianismo, ainda trazem em seu cotidiano algumas práticas dos fundamentos daquela que para eles um dia se chamou URUTÓPIÃG: (nossa crença, fundada desde os tempos mais antigos, e reafirmada por comunidades, ainda tradicionais e que cultuam os seres sobrenaturais da floresta).
É esse o livro dos Deuses e da prática da URUTÓPIÃG, no qual revelamos aos povos além das fronteiras da selva dos Mawés, os segredos do mundo verde e de suas leis.
Achamos que deveria ser conhecida, e assim afastar de uma vez a ameaça de sua extinção ou pelo menos mostrar os preceitos e o conhecimento de uma religião tradicional indígena em sua mais pura essência como é a crença tradicional dos Saterê-Mawês.
Mas não é somente a crença antiga dos Mawés que está ameaçada. Por causa de religiões, como as evangélicas, que buscam promover a igualdade religiosa e a salvação para os "pagãos", inúmeras formas de crenças religiosas jazem extintas, as últimas ainda sobreviventes tentam resistir no meio de tantas dificuldades.
A cultura desse povo é muito rica, sua crença também é sem igual. O conhecimento dos velhos pajés, bastiões da resistência da URUTÓPIÃG, é passado em fim, para a escrita. Antes que morram, e que se extinguam os mais sábios dos sábios das florestas, em meu coração, como filho do povo desta terra, sinto a felicidade de poder ajudar e atentar para uma sabedoria que infelizmente para muitos já é desconhecida: A SABEDORIA DA RELIGIÃO ANTIGA DOS MAWÉS." (Os trechos em negrito não se encontram no texto original).

Por ser do tronco Tupi, a Tradição dos Mawé possui muito em comum com os Potiguara do litoral do Nordeste brasileiro. Esse é um dos textos que considero importante, tanto para quem gostaria de conhecer melhor os fundamentos da espiritualidade dos povos originários, quanto para aqueles que lutam em preservar e restaurar as Tradições de seus ancestrais. Valorizemos nossas culturas e nossa ancestralidade espiritual. Esse é nosso verdadeiro patrimônio.

Referência bibliográfica: YAMÃ, Yaguarê. URUTÓPIÃG: a religião dos pajés e dos espíritos da selva / Yaguaré Yamã. São Paulo: IBRASA, 2004.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

REFLEXÕES SOBRE O MÊS DE SETEMBRO

Caríssimos(as) internautas, peço-lhes desculpas por não ter postado, no mês de setembro, nenhum notícia. Acontece que meu computador está quebrado e é um tanto chato trabalhar em lan house. Porém, segue uma síntese do que fui capaz de acompanhar no mês que se passou - a respeito do movimento indígena norte-rio-grandense.

Lembro, antes de tudo, que na virada das noites de terça para quarta (dias 11 e 12) de outubro, ocorreu um encontro indígena no Katu dos Eleutérios, que contou com a presença do Morubixada Manoelzinho da Aldeia Trabanda (Sagi / Baía Formosa), com a equipe do advogado das causas populares Luciano Falcão; e com um grupo de capoeira angola. No encontro realizamos o Ritual da Lua Cheia, seguido de um Toré Sagrado que se estendeu até as 2:30 da manhã.

TODO APOIO AOS ÍNDIOS DO SAGÍ ! EMPRESÁRIOS ESTÃO TENTANDO TRANSFORMAR A ALDEIA INTEIRA EM UM RESORT, VIZANDO OS LUCROS DA FUTURA COPA DO MUNDO EM NATAL ! NÃO PODEMOS PERMITIR QUE MAIS UM CRIME CONTRA OS POVOS TRADICIONAIS SEJA REALIZADO ! OS INDÍGENAS VIVEM NO TERRITÓRIO DESDE O SÉCULO XVIII, MAS OS EMPRESÁRIOS ALEGAM SEREM OS DONOS DA TERRA E PRETENDEM, ALÉM DE RETIRÁ-LOS DE LÁ, REMOVER O CEMITÉRIO DA COMUNIDADE - O QUE É UM CRIME DUPLAMENTE HEDIONDO, QUE FERE A ANCESTRALIDADE LOCAL !

Vamos às "lembranças" do mês de setembro:

- Em desfile de "7 de Setembro", a Escola Municipal Professor Francisco de Assis Varela Cavalcanti, do bairro Guarapes (Natal / RN) tem como tema a preservação dos povos indígnas, o "NÃO" à hidrelétrica assassina de Belo Monte e a preservação da Natureza e dos Animais.

- Encontro do Curso de Direito da FARN, abordou temas indígenas. Além da apresentação de vídeos e palestras com antropólogos, o encontro contou com representantes das comunidades Mendonça do Amarelão (João Câmara / RN), Aldeia Trabanda (Sagi / Baía Formosa / RN) e Maracajaú (RN). Os caboclos do Amarelão iniciaram o evento com apresentação do grupo de flautas, por volta das 8:30 da manhã e ao meio dia dançamos o Sagrado Toré. O evento prosseguiu até à noite.


- Três turmas do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Vale do Acaraú reuniram-se em João Câmara, na comunidade Mendonça do Amarelão, para aula de campo. Na aula, visitamos as pinturas rupestres que se encontram na região, a professora Thaíse proferiu palestra sobre a história da comunidade e houve exposição e venda de artesanatos e livros. Encerramos o evento com o Sagrado Toré.

É isso. Abraços e até breve!



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ENCONTRO INDÍGENA NA ALDEIA DO SAGI (BAÍA FORMOSA / RN)

Ontem, dia 31 de agosto de 2011 (quarta feira), se reuniram, na Aldeia do Sagi (Baía Formosa / RN), indígenas do Katu dos Eleutérios (Goianinha - Canguaretama / RN) e Baía da Traição (PB). O encontro fraterno foi bastante proveitoso, tendo sido marcado por um jantar coletivo (apoiado pela prefeitura de Baía Formosa) e por três torés (ritual indígena) - o principal deles ocorrendo na quadra da comunidade, dirigido pelo Paié Chico Urubu, de Baía da Traição. Membros do Centro de Estudos Indígenas do Rio Grande do Norte (Natal / RN) também estiveram presentes, contribuindo com o fortalecimento dos laços culturais entre os Potiguara do litoral do Nordeste brasileiro.


O TERRITÓRIO POTIGUARA SAJI TRABANDA ESTÁ AMEAÇADO!


O Sagi é a última praia do litoral sul do Rio Grande do Norte. Os 75 ha que pertencem aos indígenas vêm sendo cobiçados pelo atual presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do RN - que afirma ser o propríetário das terras. Dez indígenas estão, por isso, respondendo juridicamente ação de reintegração de posse movida pelo senhor Waldemir Bezerra de Figueiredo, na comarca de Canguaretama. Estrategicamente, o inimigo dos índios alega que os moradores do Sagi Trabanda não são indígenas, visando colocar todos para fora de suas casas para, segundo os boatos que correm em Baía Formosa, transformar a Aldeia do Sagi em um grande RESORT.


Acontece que pelo menos desde a primeira metade do século XVIII índios Potiguara habitam a região. Há, inclusive, um cemitério no território, cujos enterros mais antigos datam de 1908 - início do século XX. Além disso, o parentesco dos índios do Sagi com os de Baía da Traição é evidente, provado pelo intercâmbio cultural que ocorre há décadas entre as aldeias da Paraíba e a aldeia do Sagi - ficando claro que todos são índios Potiguara.


Em linhas gerais: o Sagi é terra tradicionalmente ocupada por índios e, conforme os termos dos artigos 231 e parágrafos, da Constituição Federal de 1988, deve ser preservada.


O encontro deixou claro a solidariedade existente entre os Potiguara do Nordeste brasileiro. Pedimos ao nosso Grande Pai Tupã que esteja conosco e nos dê Forças e Ciência para vencer mais essa peleja!

domingo, 28 de agosto de 2011

HOMENAGEM A FELIPE CAMARÃO

No dia 24 de agosto (dia em que faleceu o Índio Poty, em 1648), na capital do Rio Grande do Norte, ocorreram eventos em homenagem ao grande guerreiro Felipe Camarão.

Na rua Felipe Camarão - Cidade Alta -, por volta das 9:30 da manhã, o Centro de Estudos Indígenas do RN e os alunos do grupo de Toré e Cultura Indígena da Escola Irmã Arcângela (bairro do Igapó, pátria do Índio Poty) iniciaram as atividades realizando um cortejo em homenagem ao grande herói Potiguara.


Após o cortejo, com a chegada de membros da comunidade indígena Mendonça do Amarelão (João Câmara / RN), em frente às lojas Poty Livros, foi a vez de apresentarmos nossa dança sagrada - o Toré - reunindo Igapó e Amarelão.

Iniciamos e encerramos o Toré com uma linha de Catimbó coletada por Mário de Andrade, na décade de 1920, nós catimbós da Cidade do Natal, que é mais ou menos essa:


Dão Felipe de Arcoverde Camarão,

Camarão Pitú-Assú!

Camarão é vingador! ... Camarão é vencedor! ... Camarão sanguinador!


Parentes do Índio Poty, como Clara Camarão e Eudenice Camarão; membros da FUNAI e da Fundação José Augusto; políticos e imprensa local assistiram e discuraram no evento. Após o Toré, foram entregues cerca de 2.000 assinaturas a um representante da deputada Fátima Bezerra, através das quais pedimos que o nome de Felipe Camarão seja inscrito no Livro dos Heróis Nacionais. Aproveitando a ocasião, a Poty Livros presenteou a comunidade Mendonça do Amarelão com livros sobre diversos assuntos.


No final da tarde, a partir das 17:30, novo encontro ocorreu no auditório da Poty Livros do Praia Shopping, desta estando presente um representante da Brigada Felipe Camarão. Várias atividades foram articuladas, dentre as quais podem ser citadas a publicação de um livro com textos antigos sobre Felipe Camarão e a construção de uma estátua do guerreiro potiguara no bairro do Igapó.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

ATO CONTRA BELO MONTE




Hoje, 19/08, realizamos nosso Ato Contra Belo Monte. O primeiro de outros que provavelmente ocorrerão. Ainda são poucos os indivíduos que se preocupam com o meio ambiente e com os povos indígenas, na capital do Rio Grande do Norte. Porém, acreditamos que essa situação irá mudar. A então chamada "esquerda" (seja evolucionista ou revolucionária), em sua maioria, preocupa-se mais com eleições, campanhas políticas tradicionais e revolução bolchevista anacrônica do que com questões de maior urgência, das quais a construção de Belo Monte é um exemplo. Justamente por isso, precisamos transcender a política tradicional e ultrapassada e dar origem a novas formas de manifestação e organização, articular insurreições culturais, zonas autônomas e espaços de resistência descentralizados em sintonia com os contextos global e local.


Nosso ato contou com pouca gente. Entretanto, mais vale qualidade do que quantidade. Nos encontramos no Calçadão da João Pessoa por volta das 14:00 horas. Iniciamos uma panfletegem embalada por músicas indígenas e emboladas de coco. Cerca de uma hora depois, descemos para o Baldo, para nos unirmos a uma manifestação do movimento #FORAMICARLA articulada pelo Conlutas. Enquanto os populares chegavam, realizamos uma rápida visita ao Squat Taboca - ocupação anarquista recente mas muito produtiva, no centro da cidade. A passeata teve início por volta das 16:00 horas. Além de nosso grupo, militantes de outros movimentos e partidos mostraram-se solidários à luta contra Belo Monte - o que nos faz acreditar que a solidariedade aos povos indígenas que habitam o Xingu e ao Planeta tende a crescer.

Amanhã - dia marcado para as manifestações mundiais - será realizada panfletagem contra Belo Monte no município de Nova Cruz / RN.


A luta segue! #DIGANÃOABELOMONTE !

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ENCONTRO DOS ESTUDANTES DA UVA COM OS INDÍGENAS DO KATU DOS ELEUTÉRIOS

Sábado (13/08), alunos do Curso de Pedagogia da Universidade Vale do Acaraú (UVA), do município de Nova Cruz, visitaram, orientados pelo professor Rômulo Angélico, a comunidade indígena Katu dos Eleutérios (Canguaretama / Goianinha / RN).

Realizamos três atividades durante nossa aula de campo na comunidade:

1° Conversamos com os professores Valda (Pedagoga graduada na UVA e pós-graduada em Psicopedagogia pela FAL) e Vando (Pedagogo formado pela UVA). Valda é coordenadora da Escola Municipal João Lino da Silva - a primeira escola indígena do Rio Grande do Norte. Nosso bate-papo foi muito rico: tratamos da história da comunidade, espiritualidade indígena e pedagogia diferenciada aplicada na escola.


2° Após a conferência realizada na escola indígena, realizamos uma caminhada ecológica no Katu. Tivemos, então, a oportunidade de observar a agricultura local; conversar com o primeiro homem a assumir-se indígena no Rio Grande do Norte (após quase duzentos anos de silêncio) - o Moribuxaba Nascimento; e de caminhar por uma pequena e bela trilha que nos remeteu a aspectos da mata original.


3° Após o almoço, realizamos uma oficina intitulada: "Toré: dança, canto e espiritualidade indígena" - ministrada pelo professor Rômulo Angélico.


Lembremos que a UVA é, até então, a única Universidade do Rio Grande do Norte a inserir no Curriculum do Curso de Pedagogia - Licenciatura Plena - a disciplina "Educação Indígena". O trabalho dessa instituição é, portanto, pioneiro em nosso Estado.

ATIVIDADES DO MOVIMENTO INDÍGENA EM NATAL

Por estar viajando a trabalho pelo interior do RN, estou antecipando a manifestação contra Belo Monte, em Natal / RN, para o dia 19/08. Portanto...


- DIA 19/08, MANIFESTAÇÃO MUNDIAL CONTRA A CONSTRUÇÃO DA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE -


CALÇADÃO DA JOÃO PESSOA ÀS 14:00 HORAS (CIDADE ALTA)





DIGA "NÃO À BELO MONTE!"


O MUNDO NÃO PODE PERMITIR QUE CRIME DE TAMANHA PROPORÇÃO SEJA COMETIDO!



O XINGU NÃO SERÁ DESTRUÍDO EM BENEFÍCIO DE UM PEQUENO GRUPO EMPRESARIAL CAPITALISTA INTERNACIONAL (ALIADO AO GOVERNO BRASILEIRO), QUE PRETENDE ENRIQUECER ÀS CUSTAS DO SANGUE DE SERES HUMANOS E DA DEVASTAÇÃO DO MEIO AMBIENTE.



A CONSTRUÇÃO DA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE NO XINGU IRÁ ALTERAR O CURSO E A TEMPERATURA DO RIO - O QUE FARA COM QUE MILHARES DE PEIXES APODREÇAM; INUNDARÁ SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS E CENTENAS DE MILHARES DE HECTARES DE ÁREAS VERDES, COM SUA RESPECTIVA FAUNA E FLORA.


OBRIGARÁ MAIS DE 40.000 ÍNDIOS E CABOCLOS DE DIVERSAS ETNIAS, QUE HÁ SÉCULOS VIVEM NO XINGU E SOBREVIVEM DA CAÇA, DA PESCA E DA COLETA, A ABANDONAREM SEUS LARES TRADICIONAIS (SEM FALAR NOS INDÍGENAS QUE POSSIVELMENTE SERÃO EXTERMINADOS CLANDESTINAMENTE, POR NÃO CONCORDAREM EM ABANDONAR SUAS CASAS).


MAIS DE 35 BILHÕES DE REAIS DOS COFRES PÚBLICOS SERÃO INVESTIDOS NA CONSTRUÇÃO DE UMA USINA QUE SÓ FICARÁ PRONTA EM 2019 E QUE NÃO PRODUZIRÁ SEQUER 10% DA ENERGIA QUE O BRASIL PRECISA. MUITO MAIS ECONÔMICO, PRODUTIVO E ECOLÓGICO SERIA INVESTIR EM ENERGIA EÓLICA - MAS ISSO NÃO INTERESSA AO GOVERNO BRASILEIRO MUITO MENOS AOS MEGA EMPRESÁRIOS.


POR ISSO, NÓS, ÍNDIOS, CABOCLOS, AFRODESCENTES E DEMAIS BRASILEIROS CONSCIENTES, DENUNCIAMOS ESSE CRIME CONTRA OS SERES HUMANOS - ESSA MONSTRUOSA FALTA DE RESPEITO COM OS POVOS TRADICIONAIS E CONTRA O PLANETA EM QUE VIVEMOS - E EXIGIMOS QUE BELO MONTE, JUNTAMENTE COM TODOS OS ARTIFÍCIOS DE DESTRUIÇÃO AMBIENTAL E ETNOCÍDIOS SEJAM BANIDOS DA FACE DA TERRA.



- DIA 24/08: HOMENAGEM AO ÍNDIO POTI (FELIPE CAMARÃO) -


10 HORAS, NA RUA FELIPE CAMARÃO, EM FRENTE ÀS LOJAS DA POTY LIVROS (CIDADE ALTA). HAVERÁ PANFLETAGEM, COLETA DE ASSINATURAS PARA A CAMPANHA QUE ELEVARÁ O ÍNDIO FELIPE CAMARÃO A HERÓI NACIONAL, DISTRIBUIÇÃO DE LIVROS E APRESENTAÇÃO DO TORÉ.



(ORGANIZAÇÃO: GRUPO DE ESTUDOS INDÍGENAS DO IGAPÓ E CENTRO DE ESTUDOS INDÍGENAS DO RIO GRANDE DO NORTE)



CONTAMOS COM TUA PRESENÇA!

domingo, 14 de agosto de 2011

ÍNDIOS DO SAGI (BAÍA FORMOSA / LITORAL SUL DO RIO GRANDE DO NORTE)

Caríssimos leitores, ontem, pela primeira vez, visitei a comunidade indígena do Sagi, localizada no litoral sul do Rio Grande do norte, no município de Baía Formosa. O lugar é realmente bonito, limpo e agradável. Embora minha visita tenha sido muito rápida, pude conversar com alguns indígenas da comunidade, agendando visitas futuras.



Os índios do Rio Grande do Norte, depois de tantos anos "ocultados" pela "historiografia tradicional", reapareceram. Alguns decidiram quebrar o silêncio violentamente imposto pela colonização. Lembro que em 2005 li textos nos quais se dizia que no Piauí e no Rio Grande do Norte não existiam mais índios. Hoje, porém, a realidade prova o contrário.


Em breve terei maiores informações sobre a comunidade indígena do Sagi. Abraços para todos os parentes de lá! Viva os índios do Nordeste brasileiro! DIGA NÃO A BELO MONTE!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

AS RAÍZES INDÍGENAS DO KA'ATIMBÓ-YUREMA

Em meados de 2006 iniciei minhas pesquisas sobre os cultos comumente chamados "afro-brasileiros". Percorrendo parte do litoral norte-rio-grandense - especialmente os municípios de Canguaretama, Natal e Ceará Mirim, tanto em suas áreas rurais quanto urbanas - pude constatar que, por trás do termo "afro-brasileiro", encontra-se, em realidade, uma série de manifestações espirituais híbridas, "sincréticas", nas quais, ao menos no Rio Grande do Norte, a presença indígena se faz marcante.

O que a Academia classifica "afro-brasileiro", o senso comum chama de: macumba, umbanda, catimbó, jurema, candomblé e Xangô. Para quem vê de fora, realmente, todos esses termos parecem significar uma mesma coisa, porém, há diferenças.


CANDOMBLÉ é uma religião de origem africana, trazida ao Brasil pelos escravos. Em linhas gerais, o Candomblé cultua os Orixás, sendo cada Orixá uma personificação de determinada Força da Natureza.


A UMBANDA é uma religião híbrida, nascida no sudeste brasileiro, na década de 1920. Na Umbanda encontramos elementos de credos cristião, judaico e islâmico, entrelaçados a caracteres afro-indígenas muito fortes e kardecismo (como disse, uma religião "híbrida"). Do sudeste a Umbanda expandiu-se pelo Brasil, absorvendo ou incorporando outros cultos populares como a Jurema e o Terecó.


O CATIMBÓ-JUREMA é um culto ancestral de matriz indígena, característico do nordeste brasileiro.


"Ka'atimbó", em língua de índio, significa "fumaça de mato" (uma referência aos métodos de cura e transmissão de forças utilizados por pajés e karaíbas - osmoterapia indígena na qual o paciente é defumado por vapor de determinadas plantas ou sobre o qual sopra-se fumaça da erva petym).


"Yurema" é uma das plantas sagradas dos índios do nordeste. Com a Jurema prepara-se uma bebida especial, venerada, também chamada "jurema", com a qual acredita-se fortalecer o corpo e a alma, além de possibilitar experiências enteógenas. Veremos que há uma polissemia em torno das palavras "catimbó" e "Jurema".


Os índios Tapuy'ya (Kariri e Tarairiu, por exemplo), em suas práticas espirituais, invocavam entidades, profetizavam, eram "incorporados" por espíritos de outros Tapuy'ya e - fazendo uso da Jurema - entravam em contato com os ancestrais e seus mundos sagrados.


A partir do século XVI, a presença européia e africana no litoral do nordeste brasileiro e o subsequente processo de colonização influiram no antigo cerimonial indígena, acrescentando-lhe elementos distintos. Atualmente, após séculos de colonização e perseguição cristã, em alguns terreiros encontramos uma Jurema permeada de elementos africanos; em outros, um culto com muitos caracteres católicos e kardecistas; e em outras casas de culto, uma Jurema ainda muito Tapuy'ya.


Canguaretama (município localizado no litoral sul do Rio Grande do Norte) é um exemplo de região na qual a Jurema permanece fortemente marcada por elementos indígenas. Entre 2009 e 2010, percorri o citado município a procura de centros e terreiros que lidassem com Tradições afro-ameríndias e minha surpresa foi grande ao constatar que não havia casa ativa que trabalhasse com Candomblé na região. Centro kardecista há um, cujo presidente é o senhor Edgar Aranha. Quanto às casas de Jurema, além das 27 cadastradas na Federação de Umbanda e Candomblé do Rio Grande do Norte, há tantas outras "irregulares" trabalhando na linha da Jurema, sejam ou não umbandistas.


Em linhas gerais, podemos dizer que em Canguaretama há quatro tipos de culto à Jurema: uma Jurema de mesa, na qual o Mestre ou Mestra que dirige a sessão é o "paié" conhecedor dos modos de invocar e despedir os Mestres espirituais, além de conhecer rezas para combater males específicos e o segredo medicinal de várias plantas. Sentado atrás de uma mesa muitas vezes bastante paramentada (além de vela e copo com água, podemos encontrar terços, imagens de santos católicos, rosas, livros, etc.), o Mestre canta suas toadas invocando índios, caboclos e espíritos encantados protetores das florestas e dos animais.


A Gira de Jurema - na Umbanda - é uma dança circular, marcada por cânticos de invocação aos Mestres e Mestras, caboclos e encantados, ritimada por tambores, triângulo e às vezes maracás. Na gira, os neófitos vão desenvolvendo sua mediunidade e, caso seja necessário, um Mestre pode manifestar-se para curar ou orientar algum devoto.


A Jurema de Chão em Canguaretama é chamada "Catimbó" e está relacionada a trabalhos mais pesados de desmancha de feitiços e vingança. Sozinho, nas matas, ou em seu terreiro - com ou sem presença de devotos - o Mestre abre sua mesa no chão antes de fazer seu Trabalho.


O Toré é uma outra forma de culto a Jurema, própria de comunidades indígenas ou de ambientes em que a presença cabocla é muito forte. Na aldeia do Katu - localizada entre os municípios de Canguaretama e Goianinha - os caboclos, em contato com os índios de Baía da Traição, reaprenderam o Toré. Os relatos mais antigos que encontrei na comunidade citam a existência, na primeira metade do século XX, de um "ritual Tapuy'ya", no qual os médiuns ficavam nus ou seminus, corriam pelas matas, comiam carne crua com mel e verduras e, após isso, realizavam a "dança Tapuy'ya". Hoje, entretanto, como ocorre no Katu, o Toré é uma dança circular na qual os caboclos cantam para os Mestres, Mestras e Encantados, sem a ocorrência de transe espiritual. Ninguém "recebe" espíritos - diferente dos "Torés de Caboclo" que ocorrem nos terreiros de Umbanda.


O que há de elementos indígenas no Catimbó-Jurema de Canguaretama? Podemos citar, por exemplo:


O transe espiritual e a "incorporação de espíritos" - que não é herança africana, como bem deixam claro as pesquisas de Olavo de Medeiros Filho sobre a "religião dos Tapuia". Os Mestres e Mestras "recebem" espíritos de índios guerreiros, pajés, caboclos e encantados. Dentre esses espiritos, encontramos a Florzinha da Mata, a mestra Andilina Caipora, Ka'axangá, o Pássaro Azulão, dentre outras divindades indígenas.


Geralmente chefes indígenas - como o Rei Kanindé, filho de Janduí e grade líder da Guerra dos Bárbaros, o Rei Tupinambá e Manoel de Almeida (irmão de Felipe Camarão), por exemplo - são citados constantemente nas sessões de vários terreiros. Referências a etnias indígenas também estão presentes nos cânticos: Tupinambá, Guarany, Tapuy'ya de Kanindé, etc.


O uso ritualístico da bebida Jurema. Em algumas casas, porém, "Jurema" tornou-se algo bastante subjetivo - um Lugar, uma Força ou Ciência citada pelos Mestres, não mais uma bebida sagrada ingerida durante as sessões.


A crença nas aldeias e cidades da Jurema, lugares sagrados, "mundos espirituais", de onde vêm os espíritos curandeiros.


O uso ritualístico da erva petym (na língua Tupi), Badzé (no dialeto Brobo) - o tabaco - e de uma série de outas plantas sagradas da flora local, com as quais os Mestres preparam suas "fumaças", defumadores, remédios e banhos especiais.


A cura através da sucção. Estando uma pessoa com alguma parte do corpo enferma, após soprar fumaça de petym sobre o membro doente, o Mestre trata de retirar o mal chupando a parte afetada. Se a causa da doença for feitiçaria, o "trabalho" é desfeito. Entre uma chupada e outra o Mestre cospe fora o feitiço, depositando em um copo para depois jogar fora supostas substâncias utilizadas no malefício: pedaços de ossos, pólvora, insetos, etc.


Do culto aos Orixás, em Canguaretama há casas que não absorveram quase nada. Há, porém, uma releitura de elementos afro: Orixás como Oxóssi e Iemanjá, por exemplo, manifestam-se como Mestres espirituais nas sessões de Jurema. Iemanjá, uma "mestra sereia" e Oxóssi, um caboclo da mata. Mas em outros terreiros, os Orixás são bastante citados. No "Centro Espírita de Umbanda Caboclo Zé Pelintra e Caboclo Panema", por exemplo, havia trabalhos de Mesa, Toré de Caboclo e trabalhos na linha do Candomblé - cada um em um dia da semana; já no encontro dos juremeiros de Canguaretama, ocorrido no Terreiro Mestre Malunguinho, em 4 de abril de 2010, antes de cantar para Caboclos e Mestres, cantou-se para Exu e para vários Orixás. Existem Mestres, não esqueçamos, que não encontram seriedade nas giras, considerando-as lugares perigosos onde todo tipo de espírito pode "baixar", inclusive entidades viciadas e perversas. Para esses Mestres, o trabalho sério de cura só é realizado nas Mesas de Jurema.


A influência católica é muito forte. As sessões de mesa, por exemplo, quase sempre são iniciadas por preces ou cânticos de teor cristão. Nas casas há imagens de santos e santas católicas; e todos os Mestres espirituais, antes de cantarem suas toadas através das quais se apresentam, dizem: "Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo!", sendo respondidos pela assistência: "Para sempre seja louvado!".


Interessante lembrar que nos séculos XVI e XVII, no nordeste brasileiro, tanto portugueses católicos quanto holandeses protestantes, durante as guerras, assistiam silenciosos às invocações indígenas. Sob orientação de espiritos, índios Tapuy'ya e Potiguara se preparavam para os combates, fortalecendo as campanhas e firmando interesses dos invasores europeus. Porém, em outras ocasiões, cultos como a Jurema foram considerados "feitiçaria", sendo assim perseguidos: desde o século XVI, ocas consagradas às divindades indígenas são queimadas e os espíritos protetores são tachados de demônios; pajés foram perseguidos, presos e diabolizados - o que me faz acreditar que os cristãos de hoje, no critério "intolerância", parecem continuar idênticos aos colonizadores dos séculos XVI e XVII.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

GRUPO DE ESTUDOS INDÍGENAS DO IGAPÓ

O Grupo de Estudos Indígenas do Igapó continua em atividade. Ontem (05/08) realizamos ensaio de Toré, para apresentações que ocorrerão este mês (mais à frente divulgarei as datas).

Antes do Toré, iniciamos as aulas de língua Guarany. Provavelmente às terças, 16:00 horas, esteremos nos reunindo na Escola Municipal Irmã Arcângela para estudar Guarany e dançar nosso fraterno Toré de Caboclo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

TUPI: NOSSA VERDADEIRA LÍNGUA (PARTE II)

Nós, que vivemos no litoral brasileiro, deveríamos (re)aprender a língua matriz deste lugar - a língua mais falada na costa do Brasil, que resistiu bravamente às investidas européias até meados do século XVIII e que hoje, embora seja considerada equivocadamente "língua morta", ainda possui algumas centenas de milhares de estudantes e falantes: a língua Tupi.

Neste blog já foram dadas algumas dicas - bibliografias - para pessoas interessadas em estudar o Tupi Antigo. Agora, deixo breves orientações para quem deseje aprofundar um pouco mais seus estudos sobre nossa Língua Ancestral.

- O filme Hans Staden (lançado em 2000 e distribuido pela Riofilme; com direção, roteiro e produção de Luiz Alberto Pereira), trata da história do Alemão Hans Staden, que naufragou no litoral brasileiro, tendo sido aprisionado por índios Tupinambá em 1554, escapando por pouco de um ritual antropofágico. O filme foi todo gravado na língua Tupi, com alguns trechos curtos em português, alemão e francês. Em minha opinião, Hans Staden derrubou Apocalypto, de Mel Gibson - filme gravado na língua Maia, mas com grave erro historiográfico e teor sensacionalista. Hans Staden é um referencial historiográfico, visual e sonoro que considero muito bom para os interessados na Língua Tupi e nas culturas indígenas.

- O CD de Marlui Miranda Missa Indígena, resgata elementos das missas do século XVI escritas principalmente em Tupi Antigo. Mesmo sendo contrário às missões cristãs, bahá'ís, etc. que invadem as aldeias cometendo etnocídios, sou obrigado a admitir que o citado CD é um referencial sonoro para quem pretende ir se familiarizando com as pronúncias do Tupi Antigo.


- O CD da banda Sinhô Preto Velho Kaumondá possui todas as músicas na Língua Tupi. A banda toca um misto de rock, funk, soul e samba muito bem trabalhado.

Todo esse material está disponível para "download" na internet.

Abraços do Tapuy'ya! Que as Rosas Floresçam!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

CENTRO DE ESTUDOS INDÍGENAS DO RIO GRANDE DO NORTE

O CENTRO DE ESTUDOS INDÍGENAS DO RIO GRANDE DO NORTE (outrora ACECOT) surge com o objetivo de trabalhar pelo resgate e preservação das culturas dos povos tradicionais - de modo especial os povos indígenas.




Localizado na Rua da Misericórdia, 705 (Cidade Alta - Natal / RN), em nossa sede vem ocorrendo nas tardes das quintas-feiras, estudos de história, cultura indígena e língua Guarany.

Em contato com outros grupos (Federação de Umbanda e Candomblé do Rio Grande do Norte, Grupo de Estudos Indígenas do Igapó, comunidades indígenas norte-rio-grandenses, grupo de idosos, dentre outros), participamos e organizamos vários eventos, dentre os quais podemos citar o encontro entre Toré, Umbanda e Terceira Idade (realizado na sede do CEIRN) e encontro histórico entre as etnias Xukurú (PE) e Potiguara (RN).


O CEIRN está iniciando a organização de um arquivo sobre história e cultura indígena - arquivo que mais à frente estará disponível aos pesquisadores do assunto; e em breve ocorrerão oficinas de música e dança indígena, além de estudos de Tupi Antigo.

sábado, 23 de julho de 2011

APRESENTAÇÕES DO GRUPO DE TORÉ DA COMUNIDADE INDIGENA MENDONÇA DO AMARELÃO

Toré é mais que uma dança circular: é uma manifestação da espiritualidade dos índios do Nordeste brasileiro. No Toré canta-se para Deus (Tupã, Munhã, Jesus); em honra aos nossos ancestrais índios, pajés, caboclos e Mestres (Felipe Camarão, Rei Kanindé, Manicoré, Pássaro Azulão, Mestra Joaquina, Antônio Pelintra, dentre outros) e para os Encantados - espíritos protetores dos animais e plantas (Florzinha da Mata, Ka'axangá, etc.). Em algumas comunidades, nas quais o hibridismo indígena-cristão foi mais forte, canta-se também para os santos católicos.

A comunidade indígena Mendonça do Amarelão (Mendonça Iubaçu Suí), localizada no município de João Câmara (litoral norte do Rio Grande do Norte) possui um grupo de Toré formado por cerca de 20 jovens. O Toré no Amarelão, liderado pelas cabocloas Jeovana e Rosália, irá realizar quatro apresentações:

- DIA 20/07 - NA ESTAÇÃO DE CEARÁ-MIRIM;
- DIA 30/07 - NA PRÓPRIA COMUNIDADE (O TORÉ SERÁ FILMADO PELA TV CABUGI);
- DIAS 02 E 05 / 08 - NO FORUM MICROREGIONAL DE JOÃO CÂMARA.


Contamos com a presença de todos e todas que prestigiam e valorizam a cultura indígena - a cultura ancestral do povo das três "américas", de modo especial a Tradição da região nordeste de Pindorama.

terça-feira, 19 de julho de 2011

SALVE ESTE VÍDEO ANTES QUE O RETIREM DA REDE!

A VERDADE SOBRE BELO MONTE!






DIVULGUE! NÃO PODEMOS DEIXAR OS INIMIGOS DO PLANETA IMPUNES! DIGÃO "NÃO!" À BELO MONTE!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ÍNDIOS POTIGUARA E TAPUY'YA (RN) REENCONTRAM PARENTES TAPUY'YA XUKURÚ (PE), APÓS MAIS DE 400 ANOS

NA SEXTA-FEIRA, dia 15/07, membros do Grupo de Estudos Indígenas do Igapó e do Centro de Estudos Indígenas do Rio Grande do Norte (ex-ACECOT) tiveram a felicidade de receber a visita de um casal de índios Xukurú de Pernambuco: Os parentes Opkriêka e Kyalonan chegaram em Natal por volta das 22:00 horas. Na rodoviária nós os esperávamos, junto com uma outra parente vinda de João Pessoa (capital da Paraíba).

Nossos irmãos foram recepcionados com uma linha de Toré que trata dos Xukurú: "Vamos minha gente que uma noite não é nada... Quem chegou foi Xukurú no romper da madrugada... E vamos ver se 'nóis' acaba com o resto da empeleitada!".


Na sexta-feira à noite, pernoitamos na futura Oka do Juremá (bairro do Igapó) e no sábado, pela manhã, partimos em direção à comunidade indígena Katu dos Eleuterios, localizada entre os municípios de Canguaretama e Goianinha (RN). Na Aldeia do Katu, além de nos confraternizarmos, com Toré Sagrado (Ka'atimbó-Jurema) seguido de vinho e peixe frito com farinha, conversamos sobre os seguintes temas:


1° ORGANIZAÇÃO DO PROTESTO A NÍVEL MUNDIAL CONTRA A USINA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE - como já foi comentado neste blog, o governo assassino que atualmente vigora no Brasil quer construir hidrelétricas no Amazonas e usinas nucleares no Nordeste do brasileiro. O início das obras malditas será a construção de uma hidrelétrica no Xingu, cujas consequências para o Planeta serão terríveis em todos os sentidos: sítios arqueológicos destruídos; centenas de hectares de florestas inundados; o curso do Rio Xingu alterado; espécimes animais exterminadas; milhares de peixes apodrecidos; mais de 40.000 índios serão obrigados a sair por não poderem mais sobreviver da caça e da pesca; territórios tradicionais em que índios e caboclos vivem serão inundados de modo irreversível. Todo esse extermínio coletivo para beneficiar um punhado de empresários norte-americanos - um gasto de mais de 30 bilhões de reais com uma construção que só ficará pronta em 2019 e será incapaz de produzir 10% da energia que o Brasil necessita (investimentos em energia eólica e bagaço de cana de açúcar, por exemplo, seriam mais compensadores, econômicos e muito mais ecológicos).


Os caboclos do Katu, assim como os membros do Centro de Estudos Indígenas do Rio Grande do Norte comprometeram-se com os parentes Xukurú em fortalecer a luta contra os empresários criminosos que buscam arrasar o Planeta: dia 20/08 estaremos participando do PROTESTO MUNDIAL CONTRA A HIDRELÉTRICA ASSASSINA DE BELO MONTE. Quem colocou Dilma no poder também tem poder para tirá-la de lá. Todo brasileiro, assim como todo Cidadão do Mundo que tem AMOR ao Planeta e aos Seres Vivos deve fortalecer essa luta contra os inimigos da Natureza.


2° ELABORAÇÃO DE PROJETOS EM CONJUNTO. Os atuais Xukurú do Orodubá são o mesmo povo Tarairiu que viveu no Rio Grande do Norte nos séculos XVI e XVII. No ano de 1600, cerca de 600 Xukurú foram levados pelos jesuítas à Serra do Orurubá, em Pernambuco. Nossa língua ancestral é o Brobo; nossas divindades são Badzé, Houcha e Poditã. Nossa religião é o Ka'atimbó-Jurema. Os primeiros projetos em conjunto que iremos realizar são: a elaboração de um livro sobre religião e espiritualidade indígena - para desmistificar a visão deturpada e limitada transmitidas nas escolas sobre o índio brasileiro; aulas de percussão, língua Brobo e formação de um grupo de dança indígena, em comunidades caboclas do interior do Rio Grande do Norte. Assim acreditamos contribuir com o resgate e preservação de Tradições que há séculos vêm sendo deturpadas, diabolizadas e destruídas - primeiro por missionários católicos e atualmente pelas repugnantes missões protestantes, que não respeitam as diversidades culturais, menosprezam os índios e caboclos dizendo que não conhecemos Deus e que cultuamos demônios e que em alguns casos ainda sequestram crianças indígenas acusando-nos de infanticidas (anos atrás as missões JOCUM e ANITI foram denunciadas por índios brasileiros).


No domingo (17/07), pela manhã, caminhamos na trilha ecológica da comunidade Katu dos Eleutérios, encerrando nossas atividades vislumbrando novos encontros. Os três dias de convivência foram o suficiente para ficarmos cheios de saldades. Deixamos, portanto, um grande abraço para os parentes que nos visitaram! Nossa luta não quedará em fracasso! Vamos à Luta! Com o apoio do Altíssimo Munhã, na Força de Kanindé e Arandi! Com a Ciência da Jurema Santa e Sagrada e da Carreta, salvemos o Planeta!




quarta-feira, 6 de julho de 2011

ESTUDOS DE GUARANY, HISTÓRIA E CULTURA INDÍGENA NA ACECOT

Estão ocorrendo na ASSOCIAÇÃO CULTURAL E ECOLÓGICA DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS (ACECOT), localizada na Rua da Misericórdia, n° 705, Cidade Alta (Natal / Rio Grande do Norte) estudos abertos de língua Guarany, História e Cultura dos povos indígenas.


Interessados e interessadas nesses estudos, deverão procurar o mbo'essara (professor) Diego Akanguaçu, nas tardes de quinta-feira (15:00 horas), na sede da ACECOT. Outros estudos e encontros relacionados às culturas, História e línguas dos povos indígenas passarão a ocorrer na sede da Associação.


Para este mês de julho, além das citadas aulas, está previsto um encontro com índios Xukurú de Pernambuco (dia 15) e, para o mês de agosto, oficinas e palestras sobre Dança e Espiritualidade indígena (Toré).

ENCONTRO INDÍGENA NO IFRN

Ontem (05/07/2011), das 13:30 às 15:00 horas, estiveram presentes no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte - IFRN -, caboclos da comunidade indígena Mendonça do Amarelão (João Câmara / RN), membros do Grupo de Estudos Indígenas do Bairro do Igapó e da ASSOCIAÇÃO CULTURAL E ECOLÓGICA DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS - ACECOT.



O encontro, que deveria ter sido maior e melhor, infelizmente não ocorreu conforme esperávamos - embora tenha sido planejado há um mês: no IFRN estava ocorrendo uma parada, da qual só ficamos sabendo exatamente na hora em que chegamos. Por isso, nosso Sagrado Toré não foi apresentado no auditório da instituição, mas no pátio.


Outro ponto negativo: os caboclos de Ceará Mirim, da comunidade Rio dos Índios, não puderam participar do encontro, devido a falta de lugares no transporte cedido pela instituição. Entretanto, mesmo com tantas dificuldades e decepções, não deixamos de apresentar nosso Toré para as poucas pessoas que estavam no local. A luta segue!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

ATIVIDADES DE "TRANSIÇÃO" DO MOVIMENTO INDÍGENA NORTE-RIO-GRANDENSE

COMUNIDADE INDÍGENA KATU DOS ELEUTÉRIOS (MUNICÍPIOS DE CANGUARETAMA E GOIANINHA / LITORAL SUL DO RN)

No sábado (25/06), ocorreram eleições à presidência da ssociação dos moradores do Katu. Pela segunda vez consecutiva, a cabocla Valda foi eleita e permanece sendo uma das morubixaba da comunidade.


Valda é uma das pessoas mais articuladas da aldeia - trabalhando tanto na resolução de problemas internos dos moradores do Katu, quanto na área da educação (é Pedagoga e professora), assim como contribui externamente, com o movimento indígena norte-rio-grandense de modo geral (é representante das mulheres indígenas do Rio Grande do Norte).


No Catu também está sendo realizada a campanha "Ìndio Poti, Herói da Pátria Brasileira", assim como estamos nos articulando para receber os parentes Xukurú de Pernambuco (que nos visitarão neste mês de Julho) e desenvolver campanhas contra a Hidrelétrica assassina que a presidente Dilma autorizou ser construída no Xingu.



O GRUPO DE ESTUDOS DA QUESTÃO INDÍGENA DO RIO GRANDE DO NORTE - GRUPO PARAUPABA...


...Realizou na terça-feira (28/06), no CCHLA da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a XXXVIII reunião ordinária do grupo, na qual estiveram presentes caboclos das seguintes comunidades: Catu dos Eleutérios, Mendonça do Amarelão, Caboclos de Assu e Caboclos de Sagi. Na ocasião, foram dadas "boas vindas" ao Coordenador Técnico Local - CTL - da FUNAI em Natal: o sr. Martinho Alves de Andrade. Seja bem vindo, Martinho! Que juntos possamos avançar na luta pelos direitos indígenas e preservação de suas culturas.


COMUNIDADE INDÍGENA MENDONÇA DO AMARELÃO (MUNICÍPIO DE JOÃO CÂMARA).


Sábado (02/07), estive no Amarelão. Ensaiamos o Toré Sagrado que será apresentado no Instituto Federal de Educação Tecnológica da Avenida Rio Branco, na manhã dia 05/07. No Amarelão, passamos músicas novas para o Toré e estamos nos movimentando para fortalecer a já citada campanha "Índio Poti...". No encontro realizado no IFRN, estarão reunidos caboclos do Amarelão, de Rio dos Índios (Ceará Mirim) e do bairro do Igapó.

FUTURA OKA DO JUREMÁ (BAIRRO DO IGAPÓ - CAPITAL DO RIO GRANDE DO NORTE)


Domingo (03/07) visitei o terreiro no qual será construínda, em homenagem ao guerreiro Felipe Camarão - com as Graças do Altíssimo Munhã - a Oka do Juremá: espaço no qual realizaremos nossos rituais ancestrais, especialmente o sagrado Toré, e que será dedicado à preservação e ao resgate da cultura indígena e cabocla, assim como ao cultivo de plantas sagradas das Tradições Tupi e Tapuy'ya do Nordeste brasileiro. Estou aguardando os movimentos de Tupã, de modo que, assim que a estação das chuvas passar, reiniciaremos a limpeza do terreiro e construção da Oka.


ABRAÇOS FRATERNOS A TODOS E TODAS!

MISSIONÁRIOS, FORA DAS ALDEIAS! NOSSA HERANÇA IMATERIAL NÃO ESTÁ À VENDA!

domingo, 26 de junho de 2011

"ASSEMBLÉIA DE DEUS" CONSTRUÍDA IRREGULARMENTE EM COMUNIDADE INDÍGENA DO RIO GRANDE DO NORTE

Passando este final de semana na comunidade indígena Katu dos Eleutérios (localizada entre os municípios de Canguaretama e Goianinha / litoral sul do Rio Grande do Norte), conversei com os caboclos sobre vários temas (campanha "Índio Poty, Herói do Povo Brasileiro"; organização de movimento contra a construção da hidrelétrica no Xingu; escolas da comunidade; dentre outros).

Destaco, neste breve texto, algo muito importante - uma "arbitrariadade religiosa" que está acontecendo na comunidade: a construção irregular de uma igreja protestante. Com o apoio de caboclos dos quais, obviamente, não citarei o nome, deixo aqui esta denúncia: UMA ESCOLA DA COMUNIDADE FOI EXTINTA E SOBRE SUAS ESTRUTURAS ESTÁ FUNCIONANDO UMA IGREJA ASSEMBLÉIA DE DEUS. Mas quem terá sido o autor dessa "obra de caridade cristã"?

Vejamos mais um pouco de História do Katu dos Eleutiérios.


Embora a comunidade tenha nascido em meados do século XIX, apenas em 1975 possuiu seu primeiro grupo escolar, sem qualquer apoio de prefeitura ou governo. O senhor JOSÉ SIMÃO RIBEIRO, verdadeiro herói local, organizou em sua casa um galpão de barro batido no qual os caboclos socializavam seus conhecimentos. Quem mais sabia ensinava aos demais, noções básicas de português e matemática. O então prefeito João Gomes de Torres negou dois sacos de cimento, pedidos por José Simão, para melhorar a estrutura do local. Mesmo assim, de 1975 a 1977, outras casas cederam espaços para a realização das aulas.


Em 1977 finalmente foi construída uma escolinha na comunidade - o GRUPO ESCOLAR SAGRADA FAMÍLIA. Verdadeira conquista dos remanescentes Tapuy'ya e Potiguara. Porém, como nem sempre havia professores formados dispostos a ir trabalhar na aldeia, muitas vezes o sistema de educação permaneceu o mesmo: os indígenas compartilhando seus saberes.


Em janeiro de 2009, ao chegar no Katu, encontrei o prédio da escolinha em ruínas: seria reformado para abrigar uma igreja. O ex-prefeito Edmilson Faustino (PDT), membro da Assembléia de Deus, CEDEU TERRAS QUE NÃO LHE PERTENCIAM e, ao invés de reformar a escola, TRANSFORMOU A ESCOLINHA CONSEGUIDA COM TANTO ESFORÇO EM UMA ASSEMBLÉIA DE DEUS que não irá contribuir com a preservação das Tradições indígenas da comunidade - antes, seguirá com a diabolização das práticas e cultos ancestrais existentes no lugar, semelhante ao que já acontece na zona urbana de Canguaretama e em outra comunidade indígena norte-rio-grandense, sobre a qual escreverei semana que vem (em Canguaretama, no ano de 2010, já existiam mais de 24 igrejas protestantes de diversas denominações - umas criticando as outras, mas TODAS atacando abertamente os cultos indígenas, afroameríndios, kardecista e católico).


Caboclos arrependem-se de terem cedido a área para "construir uma escola que depois seria transformada em igreja evangélica". Um desses caboclos afirma que chorou ao ver o que estava acontecendo. Acontece que em terras de canaviais, muitos prefeitos atuam como os antigos coronéis e senhores de engenho, pensando que podem fazer tudo o que bem entenderem sobre o povo de seus municípios, inclusive persegui-los e abandona-los. Canguaretama infelizmente continua sendo um exemplo desse antiquado modo de governo autoritário, patriarcal e "cristão".


Pelo visto, os protestantes continuam levando muito à sério - a ponto de distorcê-la - a frase evangélica: "Tudo posso naquele que me fortalece"...


MISSIONÁRIOS PROTESTANTES, FORA DAS ALDEIAS!

500 ANOS DE OPRESSÃO E PERSEGUIÇÃO CRISTÃ NÃO FORAM CAPAZES DE APAGAR NOSSAS TRADIÇÕES!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

AS MISSÕES DE FÉ E OS POVOS ISOLADOS

Transmito aos leitores e leitoras deste blog, um texto sobre as missões cristãs e suas relações com os povos indígenas. Peço aos interessados no assunto que comentem o texto abaixo, expressando suas opiniões.


AS MISSÕES DE FÉ E OS POVOS ISOLADOS


"Ao mesmo tempo em que a Funai mantém um cadastro de grupos isolados, com informações que devem permitir ao Estado uma fiscalização mais ágil de seus territórios, as missões fundamentalistas têm levantamentos detalhados dos povos 'sem fé' espalhados em todos os cantos do planeta. Ali estão registrados dados significativos para as intervenções que essas agências priorizam. Seus cadastros descrevem os numerosos 'povos perdidos do Brasil', que incluem todos os povos que não foram atingidos pela 'revelação do evangelho'. Investigando cuidadosamente a presença de grupos isolados que são seu alvo privilegiado.


As agências fundamentalistas preferem iniciar trabalhos entre povos onde nenhum outro trabalho missionário tenha sido iniciado e, de preferência, nenhuma outra instituição esteja atuando. A inexistência de alternativas e/ou de comparações garantiria maior eficácia de seu trabalho. De acordo com esta estratégia, o fato dos isolados não terem tido uma história de confronto interétnico através da qual poderiam ter consolidado sua auto-identidade, tornariam esses grupos mais permeáveis às novas idéias. O cartaz de propaganda da Missão Novas Tribos (...) evidencia que os isolados não são vistos exatamente como povos 'virgens': praticam atos 'selvagens', levados por impulsos que denotam serem apenas 'corpos físicos'. Segundo esta lógica, por não terem tido ainda experiência espiritual, representam o campo ideal para a concretização de todas as etapas (especialmente as iniciais, que as missões-de-fé almejam monopolizar) da engenharia cultural a que elas se propõem. Grupos isolados não oporiam defesas às inovações materiais e espirituais, que exigiriam a substituição de traços considerados 'negativos' por eliminação e adaptação aos que são compatíveis com a civilização, tida como única, universal.


O caráter coercitivo dessa estratégia está evidente no instrumento técnico que as missões evangélicas privilegiam: a língua. Todos os valores alienígenas a serem introduzidos são traduzidos na língua nativa, para serem expressos e transmitidos nos termos e modos de concepção indígena e, desta forma, apropriados. O aparente respeito à língua e à cultura é, na verdade, apenas uma instrumentalização que visa a assimilação completa dos índios ao mundo cristão/civilizado.


O cartaz [abaixo] pergunta: 'São os selvagens realmente felizes? Medo, superstição, feitiçaria, infanticídio... Algumas tribos enterram vivos seus bebês acreditando serem mau presságio. Ide em todo o mundo e pregai o evangelho para cada criatura' (Revista Brown Gold - MNTB). [Grifos meus].


GRUPIONI, L. D. B. (Org.). Índios no Brasil. 4. ed. São Paulo: Global; Braília: MEC. 2000. p.127.


Cabe salientar que algumas dessas "missões evangélicas" atuam de modo irregular, burlando leis brasileiras. Por exemplo: como já foi mostrado neste blog, missões de várias igrejas - especialmente Deus é Amor - ocuparam ilegalmente terras indígenas no Mato Grosso, para construir igrejas, queimando malocas de oração e ridicularizando/diabolizando os índios que "não aceitam Jesus como salvador" e preferem continuar em suas Tradições. Missões também retiraram clandestinamente indígenas de suas aldeias levando-os para os grandes centros do País, para que tais índios apresentem "testemunhos" de suas conversões. Uma outra missão chamada JOCUM, de origem Norte Americana, recentemente forjou e admitiu ter forjado um filme sobre infanticídio indígena, visando angariar argumentos para sua intromissão nas aldeias. Lembremos que mais de 70% dos índios Xerente já se "converteram". Se tal movimento missionário continuar se expandindo, em breve teremos a extinção de outras tantas dezenas de etnias no Brasil.


Parece que os protestantes estão levando à sério demais a frase bíblica: "Tudo posso naquele que me fortalece". Podem tudo, inclusive cometer crimes e genocídios culturais "em nome de Jesus".

Alguns links relacionados ao tema:

Blog da agência Missões Novas Tribos Brasil (MNTB), responsável pelo cartaz: http://pastornilsonmissoesmaceio-al.blogspot.com/2011_05_01_archive.html

JOCUM Brasil: Jovens com uma missão: http://www.jocum.org.br/

Mantenedor da Fé (Povo Xerente): http://mantenedordafe.org/blog/?p=1773




Matéria da VEJA sobre a expansão dos missionários protestantes entre os índios do Brasil: http://veja.abril.com.br/180407/p_108.shtml

segunda-feira, 13 de junho de 2011

MOVIMENTO INDÍGENA NO LITORAL NORTE-RIO-GRANDENSE

NOTÍCIAS RÁPIDAS: TORÉ NA ESCOLA MUNICIPAL FRANCISCA FERREIRA


Hoje, na Escola Municipal Francisca Ferreira (Natal / RN), o Grupo de Estudos Indígenas do Igapó realizou mais uma apresentação cultural. Por volta das 9:30 da manhã chegamos à citada escola: Eu, Tapuy'a do Ganzá; o membro da Fundação José Augusto, professor Alcides Sales; e o professor de Guarany e estudante de Ciências Sociais, Diego Akanguassu; seguidos por um grupo de kunumimguassu (rapazinhos) da Escola Municipal Irmã Arcângela.


Começamos nossa apresentação cantando algumas músicas embaladas por flauta cabocla, guarara (tambor) e maracás - músicas presentes nos rituais sagrados de índios e caboclos do Nordeste brasileiro, que tratam dos nossos ancestrais Curandeiros e Mestres Espirituais: Pilão Deitado, Potyra Mirim, dentre outros. Em seguida, dançamos o Toré: dança sagrada dos índios Tapuy'ya e Potiguara do Nordeste do Brasil.


Aproveitamos a ocasião para distribuir revistinhas em quadrinhos da campanha "Índio Poty, Herói Nacional" (campanha através da qual almejamos elevar o Índio Felipe Camarão ao cargo de Herói do Povo Brasileiro).

MANIFESTAÇÃO NA CÂMARA MUNICIPAL DOS VEREADORES


Após nossa apresentação, as crianças da Escola Irmã Arcângela foram para casa mas nós migramos à Câmara Municipal dos Vereadores. Iríamos dançar o Toré na Câmara, que há dias vem sendo ocupada por dezenas de manifestantes de movimentos e partidos diversos que exigem que a prefeita Micarla de Souza seja colocada para fora da prefeitura municipal de Natal, devido a uma série de irregularidades em sua administração.


Ao chegarmos na Câmara, ninguém podia entrar ou sair antes da chegada da polícia. Um desembargador havia anulado o Habeas Corpus que nos permitia ocupar o prédio público até, no mínimo, terça feira (14/06). Um grupo de cerca de 100 manifestantes estava aos arredores do edifício, protestando contra essa e outras medidas arbitrárias. Juntamo-nos ao grupo, já que havia sido citada a possibilidade da polícia ir desocupar o local.


Em pouco tempo, porém, conseguimos entrar, junto a vários movimentos: as portas foram abertas, a polícia não precisou ser incomodada e todos entramos pacificamente na Câmara: partidários, apartidários, Movimento Sem Terra, Caboclos... TODOS exigindo uma melhor cidade, uma cidade na qual a palavra DEMOCRACIA realmente tenha sentido ao ser citada. Cantamos umas linhas de Toré junto a manifestantes e distribuímos mais revistinhas da citada campanha do Índio Poty.


Deixamos claro que nós, caboclos, não aceitamos a falta de transparência da administração Micarla de Souza, muito menos concordamos com as trapaças de seu mandato e seus acordos com igrejas protestantes. Políticos da linha do Bispo Francisco de Assis (Igreja Universal), Edvan Martins (presidente da Câmara Municipal) - cacique traidor do povo Potiguara -, Kalazanas (que o próprio nome já deixa claro: "calote"), Thalita Moema ("Moema", em Tupi e Guarany, quer dizer "Mentira"), Salatiel, dentre outros, são desses que misturam religião e política tendo por fim nada mais que CORRUPÇÃO.


Engrossando o time dos destruidores de seres humanos e de Tradições Culturais, dos devastadores da fauna e da flora (A presidente Dilma autorizou a construção da Hidroelétrica de Belo Monte, que ira remover no mínimo 40.000 indígenas de áreas do Xingu e inundar cerca de 400.000 hectares de florestas; A governadora Rosalba foi a favor do novo código florestal), entra Micarla e sua trupe do mal. Traidores do povo brasileiro No Pasarán!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O ACAMPAMENTO #FORAMICARLA ESTÁ SENDO SABOTADO PELA "DIREITA".

NOTÍCIAS RÁPIDAS


Um acampamento pacífico, composto por diversas forças sociais unidas por uma luta comum, há dias está reunido na então chamada "casa do povo" (Câmara Municipal dos Vereadores) de Natal.


O presidente da "casa do povo" - Edvan Martins (Valeu o Boi) - após assembléia com manifestantes acampados na quarta feira passada, assumiu o compromisso de só decidir a respeito das investigações sobre a prefeita Micarla de Souza depois da realização de uma Assembléia pública. Entretanto, demonstrando não ter palavra, caluniou a população e anulou a CEI.


Ontem, pessoas infiltradas espalharam drogas e camisinhas pelo acampamento, visando sujar a imagem pública dos manifestantes e do movimento #foramicarla. Os acampados recolheram as drogas, lacraram em um envelope e entregaram à polícia. Mesmo assim, o canal 13, de propriedade da prefeita, divulgou uma matéria caluniosa através da qual tentanva criar um líder para o movimento (Hugo Manso foi citado duas vezes), acusando os populares acampados de estarem partidariamente orientados (foram mostradas bandeiras do PT, do POR e do PSTU) e de estarem consumindo drogas.


Todos nós sabemos - afinal, ninguém aqui é idiota como Kalazanas, Moema, Salatiel e o Bispo da Universal pensam - que o canal 13 terá por função CONTÍNUA denegrir a imagem do #foramicarla. Esse canal é que deve ser boicotado. Ninguém deve dar credibilidade ao que os bonecos da Micarla andam surtando por aí.


Logo mais trarei mais notícias. A luta segue!

terça-feira, 7 de junho de 2011

FORA MICARLA III: UMA BATALHA CONTRA AS OLIGARQUIAS NOTE-RIO-GRANDENSES

A luta que foi iniciada nas redes virtuais tomou proporções reais e tende a crescer ainda mais. Agora os manifestantes não pedem exclusivamente que Micarla dê o fora da prefeitura de Natal, mas pedem ainda o "Fora Rosalba", "Fora Salatiel" e mais um bocado de sujeira que vem apodrecendo os órgãos administrativos norte-rio-grandenses.


Infelizmente, hoje, não tive como participar do evento que teve início por volta das 10:00 da manhã na Praça Cívica da cidade. Entretanto, agora, 23:27, cerca de 100 manifestantes estão ocupando a Câmara Municipal dos Vereadores. Os ocupas estão dispostos a só saírem de lá quando a prefeita estiver fora.


Os vereadores ligados a Micarla, hoje não puseram os pés na câmara, ficando só a oposição. Apenas os opositores estiveram presente. Até agora, não obtive nenhuma informação de "pessoas infiltradas" dispostas a tumultuar os eventos - como aconteceu no II Fora Micarla.


Estão todos de parabéns: movimentos sindicais, apartidários, partidários, anarquistas, grêmios, DCEs e demais grupos e indivíduos que participam dessas campanhas inéditas em nosso estado. O movimento permanece descentralizado, sem chefe e autogestionado.


Abraços do Tapuy'ya! A luta é todo dia! Chega de opressão e de desigualdade;

sábado, 4 de junho de 2011

NOVO CÓDIGO FLORESTAL: CRIMES AMBIENTAIS LEGALIZADOS

A aprovação do Novo Código Florestal irá contribuir com a destruição e com os devastadores do meio ambiente. Vejamos, em síntese, algumas "novidades" do Novo Código:

- Quem devastou reservas florestais até julho de 2008 será perdoado e ficará livre de multas e sanções.

- Pequenas propriedades rurais não mais terão a obrigação de recompor a vegetação das áreas de reserva legal exploradas.

- A área de proteção ao redor dos rios foi reduzida de 30 para 15 metros; e topos de morros com mais de 1.800 metros de altura foram liberados para percuária.

- Se antes as Áreas de Preservação Permanente eram somadas às reservas legais - o que contribuía com a preservação de uma maior área verde - agora, as APPs estaráo inclusas nas reservas legais (o que libera espaços à devastação).


Quais foram os partidos que votaram a favor de mais um crime ambiental, de gigantescas proporções, em nosso país? É mais fácil citar os que NÃO concordaram com o Novo Código. Votaram contra: O PSOL, o PPS e o PV. Os demais partidos foram a favor (destaque para: todos os parlamentares "comunistas" do PC do B; todos os democratas do DEM, do PMDB, do PMN e do PP, assim como todos do PTB ; todos os parlamentares do PRB; a grande maioria do PSB, do PSDB e dos cristãos membros do PSC e - DESTAQUE MOR - o PT).


Como se não bastasse a aprovação da construção da Hidroelétrica de Belo Monte, no Xingu, que removerá mais de 40.000 indígenas, sem falar nos que serão assassiandos; e que inundará quilômetros de áreas verdes, exterminando centenas de animais e pássaros (um investimento sem futuro que sugará milhões de reais dos cofres públicos), o PT, em sua maioria parlamentar, ainda aprovou o Novo Código Florestal. Que golpe no Planeta Terra!


Qual será o próximo crime que os traidores dos trabalhadores brasileiros e do Brasil irão cometer? Acontece que, saltando de mão em mão, indo de governos liberais a governos de "origem operária", a população brasileira vem sendo progressivamente prejudicada e a Natureza devastada. Precisamos elaborar formas de organização mais ecológicas e livres de todos esses parasitas, de "direita" e de "esquerda", que não se preocupam com o Brasil, muito menos com o mundo. Em suas vidas medíocres, esse homens e mulheres parecem estar preocupados apenas com DINHEIRO.


Em postagens futuras, irei denunciar crimes ambientais realizados no litoral norte-rio-grandense. Já tem gente medindo a área verde da Cidade Satélite (O Partido Verde, nas mãos de Micarla, vai acinzentando a cidade) e empresas devastando as matas originais de Parnamirim...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

FORA MICARLA II: PARTIDOS DESESPERADOS TENTAM COOPTAR UM MOVIMENTO APARTIDÁRIO

Por volta das 19:00 horas, cheguei no largo do Machadão. Na ocasião, encontrei os manifestantes em marcha. Minha decepção foi enorme, quando vi a quantidade de bandeiras de partidos: a UJS (quero dizer: a máscara "estudantil" do PC do B) foi a organização que mais levou bandeiras, seguida pelo PT (cuja lider maior no Brasil, a Presidente da República, é uma exterminadora de plantas, animais e indígenas) e em terceiro lugar pelo PSTU. Não vi nenhuma bandeira do PSOL - o que mostra que, ao menos por enquanto, esse partido está sendo fiel às propostas originais do Movimento FORA MICARLA.

PARASITAS PARTIDÁRIOS


O FORA MICARLA é um movimento APARTIDÁRIO. Tanto no ORKUT, quanto no Twitter e facebook, essa questão ficou muito clara. O fato de ser um movimento popular apartidário, não impede que membros de partidos façam parte das mobilizações populares livres, nem das discussões populares - entretanto, fazer uso de um tal movimento, grandioso e inédito na História do Rio Grande do Norte, para propaganda eleitoral é uma falta de respeito com TODOS os manifestantes e organizadores do evento. Se os partidários são incapazes de aparecerem como POVO é porque não sabem ou não querem ser POVO - antes, querem ser GOVERNO. E eu jamais aceitarei que um babaquara desses tente cercear minha liberdade consciente ou se manifeste como meu representante.


O FORA MICARMA é um movimento DESCENTRALIZADO. Os populares que levam a cabo esse movimento, organizam-se através de REDES. Cada grupo e indivíduo manifestando-se conforme sua criatividade, mas respeitando os princípios e objetivo do movimento. Coisa chatíssima foi ver a UJS (PC do B), PT e outros abutres passarem a maior parte do tempo tentando dirigir o movimento. Espero que caiam logo, logo no descrédito.


Não basta aos partidos todo o espaço midiático e a grana que possuem. São como vermes ou bactérias que apodrecem qualquer organismo independente. Uma vez dominando o organismo, usam-no para seus fins arbitrários e eleitoreiros. Centralizam os movimentos e fazem o povo de imbecil. Não podemos deixar que isso aconteça.

INFILTRADOS TENTANDO TUMULTUAR


Logo ao sair do largo do Machadão, um grupo de flanelinhas começou a jogar bombas - a princípio próximo dos manifestantes, em seguida dentro da passeata. Depois, apareceram uns fortões, tipo os que a UJS nas antigas contratava para bater nos punx e na turma do PSTU. Acredito que esse pessoal - acredito, mas, infelizmente, não tenho como provar - tenha recebido algum dinheiro de pessoas do tipo Kalazans e Salatiel, visando tumultuar o movimento (acabo de lembrar que Salatiel é um protestante que, segundo um gari terceirizado, está organizando um movimento chamado "FICA MICARLA", ameaçando demitir qualquer gari que não tomar parte nessa farsa. Além de Salatiel, Micarla fez parceria com a Igreja Adventista, para trazer 300 ingleses protestantes para distribuir comida nos bairros mais carentes da cidade. Ridículo!). Os policiais retiraram os agitadores e o movimento continuou.

EM LINHAS GERAIS, O "FORA MICARLA PARTE II"


Do largo do Machadão, realizamos uma parada em frente ao Natal Shopping - local onde o movimento contou com mais de três mil manifestantes - até chegarmos, por volta das 22:00 horas, próximos ao Praia Shopping, na estrada de Ponta Negra, lugar onde realizamos nossa última plenária.


Não houve incidente com a polícia - com exceção de um policial que andou testando spray de pimenta nos olhos de alguns manifestantes pacíficos (menos um ponto para a polícia militar!). Fora esse atrito, em linhas gerais, considerei esse mais uma manifestação ímpar na História do Rio Grande do Norte. A imprensa oficial, dessa vez, não poderá manipular informações: a internet quebrou o monopólio da imprensa oligárquica norte-rio-grandense. Malgrado o oportunismo dos partidos acima citados, a maioria dos manifestantes, ficou claro, é APARTIDÁRIA. Vamos ver se continuará assim nos eventos seguintes.

TRAIDORES DO BRASIL

Eis um desabafo. Emoção e Razão se fundem em grito de tristeza, ódio e desespero:




A PRESIDENTE DILMA (PT) E O IBAMA, APROVARAM A CONSTRUÇÃO DE UMA USINA HIDRELÉTRICA EM TERRITÓRIO INDÍGENA (XINGU). A USINA, QUE CUSTARÁ MILHÕES DE REAIS AO POVO BRASILEIRO, NÃO PRODUZIRÁ NEM 11 % DA ENERGIA QUE O BRASIL NECESSITA HOJE. DEVASTARÁ MAIS DE 400.000 HECTARES DE TERRA, DESTRUIRÁ MILHARES DE PLANTAS E EXTERMINARÁ MILHARES DE ANIMAIS.




ALÉM DISSO, DESABRIGARÁ MAIS DE 40.000 ÍNDIOS - SEM FALAR NOS QUE SERÃO EXTERMINADOS.




NENHUMA ONG PROTESTANTE (QUE SE DIZ DEFENSORA DOS ÍNDIOS) SE PRONUNCIOU. DE ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS, APENAS O CIMI (CATÓLICA) FEZ OPOSIÇÃO. POR ISSO TUDO, EU DIGO: DILMA, IBAMA, ONGS PROTESTANTES, ROSALBA (QUE FOI A FAVOR DO NOVO CÓDIGO FLORESTAL), MICARLA... VOCÊS SÃO INESCRUPULOSOS TRAIDORES DO BRASIL!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

FIM DE MÊS CONSTRUTIVO: NOTÍCIAS DO MOVIMENTO INDÍGENA NORTE-RIO-GRANDENSE

LANÇAMENTO DE LIVRO

A Fundação José Augusto está prestes a lançar um GLOSSÁRIO E BREVE GRAMÁTICA BROBO: a língua dos Tarairiu e Xucurú. Os Xucurú são índios Tapuy'ya que atualmente vivem no estado de Pernambuco. Sua língua nativa - o Brobo - é a mesma outrora falada por um dos grupos Tapuy'ya - os Tarairiu, ou Trarairu - cujos remanescentes ainda vivem no Rio Grande do Norte (lembremos que os povos Tapuy'ya possuíam, antes da colonização ter se efetivado em território brasileiro, outras línguas, faladas paralelamente ao Brobo).


Os principais responsáveis pela elaboração do livro e pelo resgate da língua Brobo são: o índio pernambucano Opkriêka Juruna Xucurú - que há anos vem trabalhando em prol da preservação da língua de seu povo - e os caboclos norte-rio-grandenses, membros da Fundação José Augusto: José Albano e Aucides Sales.


Lembremos que em 1755 as línguas indígenas foram proibidas no Brasil, por obra do reformador português Marquês de Pombal. Tal proibição, em muitas tribos, extendeu-se até a década de 1970. Um resgate desse nível é algo histórico e importantíssimo para a cultura dos índios do Nordeste brasileiro. Espero que os caboclos daqui, além do Guarany e do Tupi Antigo, passem a interagir vivamente e a reaprender mais essa língua ancestral, o Brobo.

PALESTRA SOBRE FELIPE CAMARÃO E CULTURA INDÍGENA


O já citado professor Aucides iniciou uma série de palestras em escolas do município (Natal). Através dessas palestras, difundimos a campanha através da qual lutamos para tornar o Índio Poti um herói da Pátria Brasileira (distribuição de revistas, coleta de assinaturas, etc.).


A convite de Aucides Sales, contribuindo com seus trabalhos de divulgação e resgate de nossa cultura, abordei, em palestra proferida sexta-feira (dia 27/05) para alunos e alunas do EJA da Escola Municipal José Albano, o tema: RELIGIÃO INDÍGENA, esclarecendo sobre o preconceito e as campanhas difamatórias realizadas ao longo dos séculos (por parte dos cristãos católicos e protestantes) contra a cultura, as tradições e a espiritualidade indígena.


DANÇA INDÍGENA NO BAIRRO DO IGAPÓ


O grupo de dança indígena da escola municipal Irmã Arcângela - escola localizada no bairro em que outrora esteve localizada a aldeia do Índio Poti - retomou suas atividades. O professor responsável pelo grupo, o caboclo Diego Akanguaçu, agora realiza atividades sobre cultura indígena no PROJOVEM. Assumi o lugar de Akanguaçu - eu, o Ka'a Tuba, em parceria com Iurupari, estou monitorando as atividades culturais ligadas à cultura indígena na citada escola.


Nosso grupo, entre os dias 27 e 29 de março, realizará uma aprestação do Toré (dança sagrada dos índios do Nordeste brasileiro) no IFRN, junto aos caboclos de Rio dos Índios (Ceará Mirim) e da comunidade Mendonça do Amarelão (João Câmara). Além disso, a equipe da escola Irmã Arcângela, dia 13/06, participará de uma petecada (campeonato de peteca, esporte de origem indígena), com alunos de outras escolas.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O MOVIMENTO FORA MICARLA FOI LINDO!

Acabo de chegar da primeira manifestação do movimento Fora Micarla, que teve início por volta das 18:00 horas - entre o shopping Midway e o IFRN - e encerrou após às 22:00 - ao lado do Machadão. Ao sair de minha residência, pude observar a desordem em que se encontra a capital do Rio Grande do Norte: a avenida Bernardo Vieira super lotada de automóveis, em um engarrafamento enorme; e por causa da greve dos ônibus, muita gente transitando a pé (eu mesmo fui ao local do evento "canelando". Das Quintas até o Midway, em uma caminhada de mais ou menos 40 minutos, UM ônibus passou, superlotado).

Ao me aproximar do shopping, o barulho dos apitos me chamou a atenção e me fez relembrar vivamente os movimentos em que há dez anos, no Movimento Anarco Punk, eu havia militado. Duas coisas me deixaram curioso e feliz no Fora Micarla:


1°) os partidos não possuem a mesma influência que há dez anos atrás possuíam, entre a juventude: por vezes vi gente do PSB e do PT tentar dirigir o movimento, encerrar a caminhada, boicotar megafone - mas os ativistas - o povo, autônomo - permaneceram no controle. Autonomia plena! Horizontalidade! Liberdade! Descentralização! Autogestão! A população está perdendo o medo de exigir os seus direitos. Está rompendo as amarras impostas pelo sistema. A manifestação foi livre de burocracias partidárias, com as assembléias realizadas no meio das ruas, controladas pelos manifestantes.


2°) o LÚDICO se fez presente. As velhas manifestações em fila, com os carros de som manipulados pelos partidos e sindicatos reacionários, estão finalmente sendo superadas. Quando um dos megafones foi retirado da mão de um popular autônomo, pessoas começaram a cantar: "O POVO, UNIDO, LUTA SEM PARTIDO!", etc. E esse deve ser um dos objetivos dos movimentos populares! APARTIDARISMO! A oposição partidária de hoje, seja de esquerda ou de direita, amanhã será governo, e enquanto houver governo haverá exploração. Muitas danças, batuques, pixações, fogueiras, palavras de força, marcaram o evento.


Ao todo, embora tenha começado com cerca de 200 pessoas, mais de 500 aderiram ao grupo durante a caminhada. Na medida do possível, farei a cobertura dos protestos, colocando as informações neste blog. Não acredito que a imprensa oficial dará informações amplas ou corretas sobre o FORA MICARLA!

AUTONOMIA E AUTOGESTÃO JÁ! FORA MICARLA E FORA TODOS OS OPRESSORES! PROTESTANTES, FORA DAS ALDEIAS!


A administração da prefeita Micarla de Souza está sendo um verdadeiro LIXO! Acredito que a insatisfação popular fará com que mais e mais pessoas participem do movimento!

terça-feira, 24 de maio de 2011

ÍNDIO POTI, UM HERÓI DO POVO BRASILEIRO

Aqui em Natal, capital do Rio Grande do Norte - terra de caboclos Potiguara e Tapuy'ya - nós do movimento indígena estamos organizando uma campanha em favor da aprovação do Projeto de Lei n° 565 de 2009: projeto que inscreve um Potiguar iluste - FELIPE CAMARÃO, O ÍNDIO POTI - entre os heróis nacionais.

Em várias escolas e organizações públicas estamos coletando assinaturas, que serão dirigidas ao Senado Brasileiro, para que as autoridades se sensibilizem e tomem as providências necessárias para a elevação do nome e da memória do Índio Poti à posição de Herói. Lembremos que Poti - filho do índio Potiguaçu (Camarão Grande) - lutou bravamente, mesmo estando doente, contra a presença holandesa no Brasil, chegando a derrotar - com um grupo de índios e mestiços mal armados - tropas de ponta, armadas até os dentes, oriundas da Europa.


No Rio Grande do Norte, a herança cultural indígena vem sendo há séculos abandonada e deturpada, chegando quase a ser completamente esquecida. Ainda hoje, as "autoridades competentes" não valorizam o patrimônio indígena: sítios com pinturas rupestres são abandonados ou explodidos; as línguas indígenas começaram a serem reaprendidas por iniciativa dos próprios caboclos; a imprensa jornalística (o Novo Jornal foi um exemplo) ainda hoje inventa mentiras sobre os índios de nosso Estado; muitas igrejas protestantes difundem abertamente que a espiritualidade indígena é diabólica, etc.


Em um Estado e em um país como o nosso, que pouco faz pelos índios e pela preservação da Natureza, o Índio Poti é um exemplo de guerreiro e de ser humano. Apoiamos essa iniciativa, encabeçada pelo professor Aucides Sales.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

ANIVERSÁRIO DA MORTE DE AUGUSTO SEVERO

No dia 12 de maio de 2011, foi comemorado, na praça Augusto Severo (no bairro da Ribeira), o aniversário da morte de Augusto Severo de Albuquerque Maranhão.

Augusto Severo nasceu em Macaíba, Rio Grande do Norte, em 11 de janeiro de 1864; e faleceu em Paris, França, em 12 de maio de 1902. Em 1881, Severo demonstrou crescente interesse pelo estudo do voo. Passou a observar o movimento de aves planadoras e a elaborar modelos de pipas. Oito anos depois, havia projetado um modelo de dirigível intitulado Potyguarania - que infelizmente nunca chegou a ser construído. Paralelo aos estudos aéreos, entre 1881 e 1889, Augusto Severo lecionou Matemática no Atheneu Norte Riograndense, trabalhou no comércio e foi autor de textos publicados no jornal antimonarquista A República. Em 1892, ampliando sua militância política, foi eleito deputado do Congresso Constituinte e em 1893 torna-se membro da Câmara dos Deputados Federais. Muitos de seus projetos viraram leis, através das quais contribuiu com a assistência à infância, saneamento público, dentre outros.


Dentre seus inventos, destacam-se, em 1892, na Europa, o dirigível Bartholomeu de Gusmão; em 1896, um turbo motor; e em 1901, um novo balão dirigível - desenvolvimento do primeiro Bartholomeu de Gusmão - que receberia o nome de Pax.


No dia 12 de maio de 1902, quando realizava demonstrações de seu Pax, em Paris, após ter alcançado cerca de 400 metros de altura, o dirigível explode repentina e violentamente, lançando ao solo Augusto Severo e seu mecânico de bordo Georges Saché. A tragédia foi impactante. O projeto do dirigível elaborado por Severo, porém, era revolucionário para a época e influenciou a tecnologia aérea das décadas seguintes.


O que em épocas anteriores era uma grande festa, comemorada na capital do Rio Grande do Norte, hoje é uma data quase esquecida por muita gente considerada "importante" em nossa cidade - autoridades públicas, representantes da prefeitura, a própria prefeita Micarla... quase ninguém se fez presente ao ato solene realizada por volta das 11 horas da manhã. Heroicamente, a banda de música da Força Aérea Brasileira, familiares de Augusto Severo e um grupo de alunos da escola Irmã Arcângela (bairro do Igapó) dirigidos pelos professores: Aucides Sales (membro da Fundação José Augusto) e Diego Akanguaçu (professor de língua Guarany), marcaram o evento que atraiu a presença de populares que localizavam-se na praça.


Intercalando os discursos de familiares e amigos de Augusto Severo, a banda da FAB e os alunos do professor Aucides (cantando ao som de maracás) realizaram apresentações musicais em homenagem ao cientista potiguar. Após o evento, realizamos um curto ensaio de Toré.


Temos, assim, um claro exemplo de que a "cultura de massas", tão propalada pelas mídia desinteressada dos valores de nosso povo, vem sufucando as autênticas história e cultura da sociedade norte-rio-grandense. Poucos são os que lembram e conhecem com certa profundidade a história dos nossos gênios e heróis.