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terça-feira, 26 de abril de 2011

PADRES EXPULSAM DEMÔNIOS

Caríssimos amigos e amigas, antes de abordar diretamente o assunto que intitula este breve texto, gostaria que prestassem atenção nos trechos do Evangelho de Mateus apresentados abaixo. A Bíblia utilizada é uma das melhores bíblias de Estudo - A Bíblia de Jerusalém, da editora Paulus, traduziada por uma equipe de exegetas católicos e protestantes.

"ENTÃO trouxeram-lhe um endemoninhado cego e mudo. E ele o curou, de modo que o mudo podia falar e ver. Toda multidão ficou espantada e pôs-se a dizer: 'Não será este o Filho de Davi?' Mas os fariseus, ouvindo isso, disseram: 'Ele não expulsa demônios, senão por Beelzebu, príncipe dos demônios'.

Conhecendo os seus pensamentos, Jesus lhes disse: 'Todo reino dividido contra si mesmo acaba em ruína e nenhuma cidade ou casa dividida contra si mesma poderá subsistir. Ora, se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo. Como, então, poderá subsistir seu reinado? Se eu expulso os demônios por Beelzebu, por quem os expulsam vossos adeptos? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou a vós. [...] Quem não está a meu favor, está contra mim, e quem não ajunta comigo, dispersa. POR ISSO VOS DIGO: TODO PECADO E BLASFÊMIA SERÃO PERDOADOS AOS HOMENS, MAS A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO NÃO SERÁ PERDOADA. SE ALGUÉM DISSER UMA PALAVRA CONTRA O FILHO DO HOMEM, SER-LHE-Á PERDOADO, MAS SE DISSER CONTRA O ESPÍRITO SANTO, NÃO LHE SERÁ PERDOADO, NEM NESTA ERA, NEM NA OUTRA'." (Evangelho de Mateus, capítulo 12, versículos 22 ao 32. Os trechos não estão em negrito ou caixa alta no original).


"EXORCISMO" foi algo que durante muitos anos praticamente esteve desaparecido da Igreja Católica Apostólica Romana. Embora bastante praticado pela Igreja durante a Idade Média (séculos V ao XV) e início da modernidade, com o advento de ciências como a Psicologia e a Parapsicologia, muitos dos distúrbios antes creditados aos demônios foram redirecionados ao campo das patologias da mente.

Na última década do século XX, apenas 3% dos supostos casos de possessão eram considerados pela Igreja, obra do diabo. Os demais casos poderiam ser: histeria individual e coletiva, neuroses fruto de repressões familiares intensas, depressão, indução e autoindução, etc.

Após ter sido avaliado por uma junta médica especializada, caso fosse confirmada a possessão, o exorcismo - depois de autorizado pelo Vaticano - era realizado por uma equipe especial: um padre exorcista e um padre ordinário, um médico, e outros acessores. O possesso não ficava às vistas de curiosos, justamente para evitar constrangimentos e preservar a vida social do indivíduo. Além disso, apenas membros da Igreja autorizados pela hierarquia eclesiástica e familiares da vítima poderiam participar das sessões.


Enquanto a Igreja Romana agia com muita discrição sobre o assunto, na década de 1980 igrejas protestantes pentecostais e neopentecostais realizavam publicamente as "sessões de descarrego" (termo tomado de empréstimo da Umbanda). Quem assistiu a um culto de uma dessas igrejas no final da década de 1980 lembra a quantidade de "possessos" que caiam durante as sessões, supostamente vítimas de demônios. As sessões públicas de exorcismo passaram a atrair centenas de fiéis, a lotar estádios e, mais que isso, a serem veiculadas em rádio e televisão. Os próprios demônios eram entrevistados pelos pastores, assumindo serem responsáveis por problemas que iam de simples dores de cabeça ao fim de relacionamentos e tentativas de assassinato. Nas décadas posteriores, além dos exorcismos públicos passariam a figurar nos púlpitos de muitas igrejas protestantes os milagres financeiros ("Carnê da Multiplicação", "Caneta da Prosperidade", o milagre do "dente de ouro", dentre outros) e as mega sessões de cura. Deixo claro que me refiro a igrejas pentecostais e neopentecostais - as igrejas protestantes TRADICIONAIS como a Luterana e a Anglicana não realizam esse tipo de prática e, talvez por isso, estejam minguando na América Latina.


Hoje, 26/04/2011, ao ir trabalhar no Centro da Cidade, não pude deixar de prestar atenção em um carro de som que anunciava um evento da Igreja Católica Apóstolica Romana. Prestem bem atenção, queridos leitores e leitoras: estavam anunciando uma MISSA EM INTENÇÃO DE CURA, LIBERTAÇÃO E EXORCISMO. Atentem bem para o termo "intenção". Não era uma sessão pública de exorcismo declarada, mas uma missa com a intenção "de". O fato é que nas últimas décadas, com o surgimento de centenas de Igrejas supostamente evangélicas, com o crescimento de organizações como a Igreja Universal do Reino de Deus e Igreja Mundial do Poder de Deus, a Igreja Católica Romana vem perdendo terreno. A solução encontrada pelo Clero Romano para fazer suas "ovelhinhas" retornarem à "casa do pai" é jogar no mesmo tabuleiro dos protestantes: cantores gospel com visual transado, padres galãs, manifestação de dons espirituais (falar em línguas, visões, profecias, etc. veiculadas em canais abertos) e agora o retorno das sessões de exorcismo!


Entretanto, eis a grande pergunta: o que tem a ver este texto que escrevi, com o trecho do Evangelho de Mateus que coloquei no início deste texto? Vejam bem: qual católico praticante nunca ficou chateado com palavras como as seguintes: "Eu nunca vou colocar o pé em uma igreja católica!", "Crente não casa com católico, porque eles são trevas e nós somos luz!", "Quando eu era católico eu fumava, bebia...", "As imagens que os católicos adoram são demônios!", "O papa é o anticristo!" - frases manjadas ditas e repetidas a mil anos por protestantes, que têm como objetivo combater a Igreja liderada por Bento XVI. Ora, com o retorno das práticas públicas de exorcismo, a Igreja Católica dá um golpe forte nas igrejas protestantes - afinal de contas, TEOLOGICAMENTE FALANDO, conforme a Teologia Bíblica, se os padres expulsam demônios é sinal de que expulsam através do Espírito Santo de Deus e que estão ajuntando com Jesus. Assim sendo, Deus está presente na Igreja Romana. E qual será o protestante, apóstolo ou profeta, que terá coragem de blasfemar contra o Espírito Santo de Deus, se esse é um pecado que não será perdoado - CONFORME SALIENTOU O PRÓPRIO JESUS - "nem nesta era, nem na outra"? Será mais saldável para as igrejas ajuntarem em conjunto. Mais ECUMENISMO é algo que a maioria das igrejas "evangélicas" NÃO TOLERAM. Muito menos o Silas Malafaia.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

LOCALIZAÇÃO DE GRUPOS INDÍGENAS

LOCALIZAÇÃO DOS ANTIGOS GRUPOS INDÍGENAS QUE VIVERAM NO TERRITÓRIO DO ATUAL RIO GRANDE DO NORTE












quarta-feira, 20 de abril de 2011

DIA 19 DE ABRIL: DIA DO ÍNDIO.

Transmito aos que me amam e aos que me odeiam - afinal, Deus faz o Sol nascer e a chuva cair para todos e todas, sem exceção, sejam ateus, satanistas, macumbeiros ou protestantes, e como imagem e semelhança de Deus é meu dever fazer o mesmo! - uma síntese do meu DIA DO ÍNDIO. Dia maravilhoso em que celebramos a cultura dos nossos ancestrais e a resistência daqueles que já viviam nesta terra antes dos invasores chegarem destruíndo as florestas, poluindo os rios, escravizando e exterminando milhares de seres humanos.

Por volta das 8:40 da manhã, cheguei na comunidade indígena Mendonça do Amarelão, localizada no município de João Câmara. Fomos eu, um professor de língua Guarany, um irmão membro da Fundação José Augusto e uma amiga artísta inserida nos trabalhos sociais em prol da Cultura Indígena. O encontro foi bastante produtivo: professores do município visitaram os alunos da comunidade, tendo sido recebidos pelo grupo de flautistas do Amarelão.

A apresentação das flautas foi seguida pelo Toré - dança sagrada de origem Tapuia-Xucurú aprendida pelos Potiguara do litoral do nordeste brasileiro. Após o Toré, foi realizada uma assembléia com os professores de João Câmara, na qual foram apresentadas propostas para inserir a educação indígena nas escolas locais. Como todos sabemos, agora é lei nacional: cultura indígena e afro-brasileira nas escolas! Mais um passo em direção ao fim do preconceito que índios e negros sofrem no Brasil e no mundo ocidental.

Por volta das 11:30 da manhã, saí da comunidade do Amarelão em direção ao município de Canguaretama, no litoral sul do Rio Grande do Norte. A partir das 13:30, minha companhia passou a ser apenas o Bom Jesus. Viajei cinco horas (duas viagens de carro e uma de microônibus, além de uma hora de caminhada) para chegar na comunidade indígena Katu dos Eleutérios.


Ao chegar no Katu, fiquei novamente muito feliz: os caboclos estavam comemorando o Dia do Índio em um terreiro com direito a Oka, Toré e Tapi'oka. Por algumas instantes pude ter uma noção de como viviam meus parentes Potiguara e Tapuy'ya antes da invasão européia. Lembro que a comunidade do Katu vem se destacando no processo de resgate da Cultura Indígena norte-rio-grandense. Na escolinha da comunidade as crianças aprendem a língua Guarany, os jogos e as danças indígenas.


Para finalizar esta postagem, quero agradecer ao Altíssimo Tupã por ter me concedido uma viagem segura em dia chuvoso, um Dia do Índio bastante festivo e instrutivo, e um retorno tranquilo à capital do Rio Grande do Norte.


500 ANOS DE INVASÃO NÃO FORAM CAPAZES DE EXTINGUIR NOSSA CULTURA! VIVA A CULTURA INDÍGENA! MAIS UM VIVA AOS ÍNDIOS DE TODAS AS AMÉRICAS!





sábado, 16 de abril de 2011

O PROFETA-TESOUREIRO SILAS MALAFAIA

Hoje, justamente na bendita hora do almoço, não pude deixar de prestar atenção nas palavras infames de um tal SILAS MALAFAIA - que se diz "profeta de Deus", mas que em realidade não passa de um psicólogo enrolão, cheio das mutretas e de conchavos com bandidos norte-americanos (como o Morris Cerullo, que lucram altíssimo barganhando bíblias e trechos do Evangelho) e políticos brasileiros.


Quando começou sua carreira de pastor, Malafaia condenava a Teologia da Prosperidade, porém, não demorou para compreeder que essa interpretação teológica capitalista norte-americana rende muito. Aderindo a um discurso semelhante ao do Bispo Macêdo e seus discípulos (se você é rico, é sinal que Deus te abençoa, mas a pobreza é fruto do pecado!; quanto mais você for liberal, quanto mais você contribuir com a obra de Deus, prosperarás! Deus te dará em dobro! etc.), Malafaia passou a arrecadar fundos para construir seu patrimônio (que diz não ser dele, mas de Deus).


Hoje, além da Bíblia das Finanças, Malafaia lucra aos montes vendendo até livros de receita. Realiza acordos políticos com gente da pior espécie: contradição gritante para quem tanto combate o catolicismo, Malafaia fez conchavo justamente com o José Serra, que é católico e contratou um Guru indiano para auxilia-lo na última camapanha eleitoral. Centenas de "crentes" da Assembléia de Deus e outra associações cristãs apoiaram o Serrá, graças à intercessão do malandro Silas Malafaia.


Hoje, como eu dizia, na hora do almoço, pude ouvir um pedido do profeta-tesoureiro da Assembléia de Deus Vitória em Cristo. O que ele pedia? A mesma coisa que o apóstolo Valdemiro, o missionário R. R. Soares e os alunos do bispo Macêdo vivem pedindo na televisão e no rádio: ele pedia dinheiro! E não era pouco! MALAFAIA PEDIU QUE TRÊS PESSOAS DOASSEM r$ 100.000,00 E CEM PESSOAS DOASSEM r$ 1.000,00. Mas para quê tanto dinheiro? Segundo o profeta-tesoureiro, não era para ele nem para sua vida pessoal... O discurso de todos esses espertalhões é o mesmo: O DINHEIRO É PARA A GLÓRIA DE DEUS, PARA A OBRA DE DEUS!


Se ficasse apenas nisso eu nem teria me incomodado. Afinal, cada um que empregue o suor de seu trabalho com o que achar que deve. Porém, o profeta encerrou sua pregação com umas frases de efeito que colocam qualquer cristão no canto da parede. A oratória neurolinguística foi basicamente essa: "TEM MUITO MISERÁVEL QUE ESTÁ INCOMODADO COM O QUE EU DIGO... QUEM É MISERÁVEL NÃO PRECISA DOAR NADA! E para completar o discurso agressivo: "É BÍBLICO: QUANTO MAIS VOCÊ FOR LIBERAL, MAIS DEUS MULTIPLICARÁ TUAS SEMENTES!"



Interessante como esses profetas, manipulando palavras, conseguem explorar as ovelhinhas de suas igrejas. O cristão devoto que não doa deve sentir um peso que vai até as profundezas da alma, afinal, está deixando de ajudar o próprio Deus Criador do Universo. Outro dia o apóstolo Valdemiro dizia que quem não da o dízimo está "roubando dinheiro de Deus". E com palavras semelhantes às do profeta Malafaia, o Apóstolo Valdemiro concluia seu discurso - pedindo além do dízimo, doações "voluntárias" de 20% de tudo o que a ovelha possui - as palavras foram essas, em linhas gerais: SE VOCÊ ACHA QUE ESSA OBRA VALE ALGUMA COISA EM TUA VIDA, CONTRIBUA... AGORA, SE ESSA OBRA PRA VOCÊ NÃO VALE NADA, NÃO ENVIE NADA. Já pensou no que esses bandidos estão fazendo? Atenção, ministério público, sociedade brasileira, povo esclarecido, vamos colocar esses malandros na cadeia!



MALAFAIA, VAI TRABALHAR, VAGABUNDO!



segunda-feira, 11 de abril de 2011

FETICHES EVANGÉLICOS

"Fetichismo" é uma forma de culto supostamente primitiva, na qual as pessoas acreditavam que objetos possuíam espíritos ou estavam animados de forças espirituais - fossem divinas ou malignas. Afirmam alguns sociólogos que o Fetichismo foi uma das primeiras manifestações de espiritualidade humana.


Religiões históricas, como o Islamismo, fazem oposição a tudo o que "cheire" e possa dar margem ao fetichismo: imagens, retratos, objetos, mártires... nada disso merece culto ou veneração, visto que SÓ ALÁ É DEUS e só Deus merece culto e louvor.

Uma das críticas mais fortes dos protestantes para com a Igreja Católica Apostólica Romana, é a acusação de quê OS CATÓLICOS ADORAM IMANGENS! Realmente, embora a presença de imagens em assembléias cristãs remontem aos tempos em que o culto ao Nazareno ainda era realizado em cavernas; e mesmo com os católicos afirmando que só católicos não esclarecidos tendem a ajoelhar-se perante imagens fazendo-lhe pedidos como se fossem os próprios santos, o argumento de que os católicos são idólatras fere em muito a Igreja Romana.

No meio evangélico, porém, novas formas de idolatria vêm surgindo e ganhando força. Idolatria fetichista, em que objetos são imaginados como embuídos de forças espirituais.

Na década de 1980, quando estava em ascenção, a Igreja Universal do Reino de Deus iniciou um ataque sem fim à Umbanda e demais religiões afro-ameríndias. Afirmava o bispo Macêdo e seus discípulos que nessas religiões demônios eram cultuados e que esses demônios se escondem em objetos - como estátuas e fotografias - e em plantas. Era o início de uma pregação fetichista por parte dos evangélicos no Brasil.

Atualmente, as igrejas pentecostais e principalmente as neopentecostais estão iniciando uma onda fetichista em larga escala. Vejamos um exemplo bastante comum: a distribuição de rosas e de óleos, capazes de transmitir bênçãos às famílias (além da Universal, a Igreja Internacional da Graça de Deus e a pequena Reviver em Cristo Jesus são duas que realizam essas práticas). A Univesal, entretanto, deteve o 1° lugar do fetichismo: espada do poder para expulsar o demônio, a tocha da prosperidade e a fogueira santa de israel são exemplos da criatividade maquiavélica dos pastores do Bispo Macêdo.

Ao que tudo indica, um dos mais criativos cristãos fetichistas de nossos dias é o discípulo do bispo Macêdo, o Apóstolo Valdemiro Santiago. Valdemiro é muito inventivo: através de seus fetiches consegue arrecadar dinheiro para sua igreja (Mundial do Poder de Deus) e ainda promeve sua imagem de "apóstolo". Imitando o fundador da Assembléia de Deus nos EUA (Charles Fox Parham), Valdemiro passa os cultos enxugando o rosto com lenços que são disputados pelos fiéis. De vez em quando, para curar um doente, basta que ele toque no lencinho com o suor do Apóstolo. É uma clara prova de fetichismo! Daqui a pouco vão dizer que a saliva e a urina do Apóstolo tem poder...

Além disso, fiéis afirmam que após comprarem o CD ou o DVD do Apóstolo, muita coisa mudou em suas vidas. Uma seguidora, certa vez, afirmou que assim que colocou o CD para tocar no carro, um raio caiu bem ao lado dela! Outra, após comprar o kit (CD, DVD, Livro), conquistou um novo emprego, etc. E assim segue o fetichismo neopentecostal da prosperidade!

A invenção mais absurda do Apóstolo é a "caneta abençoada". Aos doadores que enviam R$ 100,00, R$ 50,00 ou R$ 30,00 para o Apóstolo empregar na "obra de Deus", em "consolação" ele lhes envia uma caneta abençoada. Acontece que testemunas surgiram afirmando que após começarem a usar a caneta, assinaram contratos de trabalhos que lhes renderam milhares de reais. Que poder terá essa caneta? Que poder tem o suor do Apóstolo? Tá na cara que isso é mutreta das brabas!

Valdemiro, me empresta tua caneta?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

ESSE MÁGICO INSTRUMENTO CHAMADO GANZÁ

Canzá, Ganzá, Pau de Cimento, Mineiro, Xique Xique, Maracá... Esses nomes representam um mesmo instrumento musical. No Rio Grande do Norte, o termo mais comum parece ser "ganzá" - o instumento dos antigos emboladores de coco e dos velhos repentistas do litoral norte-rio-grandense.


Os primeiros ganzás consistiam de tubos cilíndricos feitos de lata, zinco ou taquara. Dentro do tubo, pequenas rochas ou esferas de chumbo. Agitado com uma ou duas mãos, a pancada das rochas ou chumbos nas paredes do tubo dão o compasso das toadas, dos repentes, dos raros cocos de embolada. Hoje há ganzás em formatos diversos, utilizados em estilos que vão do forró ao pagode.

Está para ser provado, mas o ganzá pode ter nascido dos contatos afro-indígenas ocorridos no Brasil. O Pau de Cimento pode ser fruto desse hibridismo cultural tão comum em nossa sociedade. Vejamos as "provas" dessa afirmação:

- O Ganzá também é chamado "maracá", assim como maracás também são chamados "ganzás", em casas e terreiros de Umbanda, por exemplo;

- Os índios do Brasil possuem um instrumento sagrado - o maracá: uma cabaça perfurada por uma vara ou uma taquara, contendo sementes ou pequenas rochas, utilizada como instrumento sagrado nos torés e mesas de Ka'atimbó;

- Os africanos também possuem uma espécie de maracá, só que no caso africano as contas ficam por fora da cabaça;

- Indígenas possuem um instrumento chamado "pau de chuva", que é um pedaço de tronco, furado, meio cilíndrico, preenchido por rochas e cristais. O som que se tira com esse pau, simula o barulho da chuva caindo na Terra;

- Um caboclo do Katu me explicou sobre a origem do ganzá - e eu achei coerente suas explicações. Segundo esse caboclo, os indígenas usavam maracás em rituais de Ka'atimbó e Jurema. Os maracás, portanto, foram proibídos, visto que estavam relacionados a práticas que a Igreja Católica e a polícia consideravam "feitiçaria". Para poder entoar suas músicas, os caboclos pegavam latas e levavam para os mestres funileiros transformarem essas latas em ganzás.

- Os maracás, então, passaram a ser utilizados secretamente em rituais de cura indígena; e o ganzá passou a ser utilizado abertamente, em músicas profanas, que visavam a diversão dos ouvintes de todas a classes sociais.

Mais à frente postarei alguma coisa sobre um estilo musical que está quase em extinção no Brasil: o COCO DE GANZÁ.