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quinta-feira, 7 de abril de 2011

ESSE MÁGICO INSTRUMENTO CHAMADO GANZÁ

Canzá, Ganzá, Pau de Cimento, Mineiro, Xique Xique, Maracá... Esses nomes representam um mesmo instrumento musical. No Rio Grande do Norte, o termo mais comum parece ser "ganzá" - o instumento dos antigos emboladores de coco e dos velhos repentistas do litoral norte-rio-grandense.


Os primeiros ganzás consistiam de tubos cilíndricos feitos de lata, zinco ou taquara. Dentro do tubo, pequenas rochas ou esferas de chumbo. Agitado com uma ou duas mãos, a pancada das rochas ou chumbos nas paredes do tubo dão o compasso das toadas, dos repentes, dos raros cocos de embolada. Hoje há ganzás em formatos diversos, utilizados em estilos que vão do forró ao pagode.

Está para ser provado, mas o ganzá pode ter nascido dos contatos afro-indígenas ocorridos no Brasil. O Pau de Cimento pode ser fruto desse hibridismo cultural tão comum em nossa sociedade. Vejamos as "provas" dessa afirmação:

- O Ganzá também é chamado "maracá", assim como maracás também são chamados "ganzás", em casas e terreiros de Umbanda, por exemplo;

- Os índios do Brasil possuem um instrumento sagrado - o maracá: uma cabaça perfurada por uma vara ou uma taquara, contendo sementes ou pequenas rochas, utilizada como instrumento sagrado nos torés e mesas de Ka'atimbó;

- Os africanos também possuem uma espécie de maracá, só que no caso africano as contas ficam por fora da cabaça;

- Indígenas possuem um instrumento chamado "pau de chuva", que é um pedaço de tronco, furado, meio cilíndrico, preenchido por rochas e cristais. O som que se tira com esse pau, simula o barulho da chuva caindo na Terra;

- Um caboclo do Katu me explicou sobre a origem do ganzá - e eu achei coerente suas explicações. Segundo esse caboclo, os indígenas usavam maracás em rituais de Ka'atimbó e Jurema. Os maracás, portanto, foram proibídos, visto que estavam relacionados a práticas que a Igreja Católica e a polícia consideravam "feitiçaria". Para poder entoar suas músicas, os caboclos pegavam latas e levavam para os mestres funileiros transformarem essas latas em ganzás.

- Os maracás, então, passaram a ser utilizados secretamente em rituais de cura indígena; e o ganzá passou a ser utilizado abertamente, em músicas profanas, que visavam a diversão dos ouvintes de todas a classes sociais.

Mais à frente postarei alguma coisa sobre um estilo musical que está quase em extinção no Brasil: o COCO DE GANZÁ.

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