Total de visualizações de página

domingo, 13 de maio de 2012

ORAÇÃO DE UM CACIQUE

"FRANCISCO Javier Poama foi um personagem que somava a seu cargo de cacique entre os índios Emberá em Bocas Saija no Departamento de Cauca e distante umas horas de navegação por amr, bordeando a Costa Pacífica, e logo entrando pelos rios, únicos meios de penetração até o selvático lugar da região de Guapi como centro de todas as operações comerciis e civis.

Na entrevista que lhe fiz foi muito explícito demonstrando grande confiança. Como sabia por comentários anteriores que era um homem muito crente, lhe perguntei sobre suas relações com Deus, ao que ele respodeu:

- Ah, para mim o trato com Deus é diário e muito importante porque Ele nos fez.

- E como você manifeta esse trato?

- Venha, eu ensino.

Tomando-me pelo braço me levou até uma pequena casa toda fechada por três lados menos por um, por onde havia uma pequena abertura com paus à maneira de porta. Com respeito ingressei com ele inclinando o corpo para poder passar. O recinto estava limpo porém muito escuro. No fundo, contra a parede de varas havia um crucifixo, um quadro da Virgem do Carmo e várias velas apagadas. No pavio queimado se via que haviam sido usadas.

- Se quiser, padre, mova a máquina para que pegue minha voz. Vou te ensinar o que eu faço cada dia aqui.

Ali mesmo fiz funcionar o gravador. Enquanto isso, começou a tirar todas suas roupas perto da entrada até ficar totalmente desnudo, se aproximou depois para dizer-me:

- Deus é um Senhor de muito respeito e para falar com Ele eu tiro a roupa porque assim nos trouxe a vida.

Logo se adiantou até o fundo e prostrando-se com as mãos unidas começou a dizer com voz perceptível:

- Senhor Papai do Céu. Aquí estou outra vez para pedir-te presentes que tens em cima. Da-me camisa de ouro, calças de ouro, sapatos de ouro, meias de ouro, relógio de ouro...

E assim continuou pedindo com voz acelerada, quase toda melodiosa; boa colheita, bom tempo, boa saúde, boa família, boa pesca, boa caça, etc, etc.

Depois contou todo o acontecido na tribo sobre os doentes, sobre os ausentes e outros atos de ocorrência diária.

Duas horas aproximadamente durou aquela larga oração de úplicas. Quando terminou para colocar de novo sua roupa, o interroguei:

- Por que Francisco Javier pede a Deus tudo de ouro?

- Padre, esso eu eu peço a Deus não é como as coisas da tierra que se acabam. O que Deus da a um é fino e não se destrói. O que da Deus tudo é do Céu."

(Conversa do Frei Javier Montoya Sabchez com o´cacique Francisco Javier Poama - livre tradução da Obra ANECDOTARIO DE UN MISIONERO FRANCISCANO: pequeño aporte a la Etnografia Colombiana. Esse livro me foi presenteado pelo amado Frater Urubu Tairaju no início deste ano, após regresso de uma de suas aventuras antropológicas pela América Latina).

EM BREVE: O CENTRO DE ESTUDOS INDÍGENAS TERREIRO DO JUREMÁ ESTARÁ EM PLENO FUNCIONAMENTO EM SÃO GONÇALO DO AMARANTE.

- EXPOSIÇÃO E VENDA DE ARTESANATO INDÍGENA;
- PALESTRAS SOBRE TEMAS AFROAMERÍNDIOS E ESTUDOS DE TUPI ANTIGO;
- RITUAIS E TRABALHOS COLETIVOS DE CURA MORAL E ESPIRITUAL;
- ORGANIZAÇÃO DE BIBLIOTECA E VENDA DE OPÚSCULOS.

Nenhum comentário:

Postar um comentário