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segunda-feira, 18 de julho de 2011

ÍNDIOS POTIGUARA E TAPUY'YA (RN) REENCONTRAM PARENTES TAPUY'YA XUKURÚ (PE), APÓS MAIS DE 400 ANOS

NA SEXTA-FEIRA, dia 15/07, membros do Grupo de Estudos Indígenas do Igapó e do Centro de Estudos Indígenas do Rio Grande do Norte (ex-ACECOT) tiveram a felicidade de receber a visita de um casal de índios Xukurú de Pernambuco: Os parentes Opkriêka e Kyalonan chegaram em Natal por volta das 22:00 horas. Na rodoviária nós os esperávamos, junto com uma outra parente vinda de João Pessoa (capital da Paraíba).

Nossos irmãos foram recepcionados com uma linha de Toré que trata dos Xukurú: "Vamos minha gente que uma noite não é nada... Quem chegou foi Xukurú no romper da madrugada... E vamos ver se 'nóis' acaba com o resto da empeleitada!".


Na sexta-feira à noite, pernoitamos na futura Oka do Juremá (bairro do Igapó) e no sábado, pela manhã, partimos em direção à comunidade indígena Katu dos Eleuterios, localizada entre os municípios de Canguaretama e Goianinha (RN). Na Aldeia do Katu, além de nos confraternizarmos, com Toré Sagrado (Ka'atimbó-Jurema) seguido de vinho e peixe frito com farinha, conversamos sobre os seguintes temas:


1° ORGANIZAÇÃO DO PROTESTO A NÍVEL MUNDIAL CONTRA A USINA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE - como já foi comentado neste blog, o governo assassino que atualmente vigora no Brasil quer construir hidrelétricas no Amazonas e usinas nucleares no Nordeste do brasileiro. O início das obras malditas será a construção de uma hidrelétrica no Xingu, cujas consequências para o Planeta serão terríveis em todos os sentidos: sítios arqueológicos destruídos; centenas de hectares de florestas inundados; o curso do Rio Xingu alterado; espécimes animais exterminadas; milhares de peixes apodrecidos; mais de 40.000 índios serão obrigados a sair por não poderem mais sobreviver da caça e da pesca; territórios tradicionais em que índios e caboclos vivem serão inundados de modo irreversível. Todo esse extermínio coletivo para beneficiar um punhado de empresários norte-americanos - um gasto de mais de 30 bilhões de reais com uma construção que só ficará pronta em 2019 e será incapaz de produzir 10% da energia que o Brasil necessita (investimentos em energia eólica e bagaço de cana de açúcar, por exemplo, seriam mais compensadores, econômicos e muito mais ecológicos).


Os caboclos do Katu, assim como os membros do Centro de Estudos Indígenas do Rio Grande do Norte comprometeram-se com os parentes Xukurú em fortalecer a luta contra os empresários criminosos que buscam arrasar o Planeta: dia 20/08 estaremos participando do PROTESTO MUNDIAL CONTRA A HIDRELÉTRICA ASSASSINA DE BELO MONTE. Quem colocou Dilma no poder também tem poder para tirá-la de lá. Todo brasileiro, assim como todo Cidadão do Mundo que tem AMOR ao Planeta e aos Seres Vivos deve fortalecer essa luta contra os inimigos da Natureza.


2° ELABORAÇÃO DE PROJETOS EM CONJUNTO. Os atuais Xukurú do Orodubá são o mesmo povo Tarairiu que viveu no Rio Grande do Norte nos séculos XVI e XVII. No ano de 1600, cerca de 600 Xukurú foram levados pelos jesuítas à Serra do Orurubá, em Pernambuco. Nossa língua ancestral é o Brobo; nossas divindades são Badzé, Houcha e Poditã. Nossa religião é o Ka'atimbó-Jurema. Os primeiros projetos em conjunto que iremos realizar são: a elaboração de um livro sobre religião e espiritualidade indígena - para desmistificar a visão deturpada e limitada transmitidas nas escolas sobre o índio brasileiro; aulas de percussão, língua Brobo e formação de um grupo de dança indígena, em comunidades caboclas do interior do Rio Grande do Norte. Assim acreditamos contribuir com o resgate e preservação de Tradições que há séculos vêm sendo deturpadas, diabolizadas e destruídas - primeiro por missionários católicos e atualmente pelas repugnantes missões protestantes, que não respeitam as diversidades culturais, menosprezam os índios e caboclos dizendo que não conhecemos Deus e que cultuamos demônios e que em alguns casos ainda sequestram crianças indígenas acusando-nos de infanticidas (anos atrás as missões JOCUM e ANITI foram denunciadas por índios brasileiros).


No domingo (17/07), pela manhã, caminhamos na trilha ecológica da comunidade Katu dos Eleutérios, encerrando nossas atividades vislumbrando novos encontros. Os três dias de convivência foram o suficiente para ficarmos cheios de saldades. Deixamos, portanto, um grande abraço para os parentes que nos visitaram! Nossa luta não quedará em fracasso! Vamos à Luta! Com o apoio do Altíssimo Munhã, na Força de Kanindé e Arandi! Com a Ciência da Jurema Santa e Sagrada e da Carreta, salvemos o Planeta!




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