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quarta-feira, 15 de junho de 2011

AS MISSÕES DE FÉ E OS POVOS ISOLADOS

Transmito aos leitores e leitoras deste blog, um texto sobre as missões cristãs e suas relações com os povos indígenas. Peço aos interessados no assunto que comentem o texto abaixo, expressando suas opiniões.


AS MISSÕES DE FÉ E OS POVOS ISOLADOS


"Ao mesmo tempo em que a Funai mantém um cadastro de grupos isolados, com informações que devem permitir ao Estado uma fiscalização mais ágil de seus territórios, as missões fundamentalistas têm levantamentos detalhados dos povos 'sem fé' espalhados em todos os cantos do planeta. Ali estão registrados dados significativos para as intervenções que essas agências priorizam. Seus cadastros descrevem os numerosos 'povos perdidos do Brasil', que incluem todos os povos que não foram atingidos pela 'revelação do evangelho'. Investigando cuidadosamente a presença de grupos isolados que são seu alvo privilegiado.


As agências fundamentalistas preferem iniciar trabalhos entre povos onde nenhum outro trabalho missionário tenha sido iniciado e, de preferência, nenhuma outra instituição esteja atuando. A inexistência de alternativas e/ou de comparações garantiria maior eficácia de seu trabalho. De acordo com esta estratégia, o fato dos isolados não terem tido uma história de confronto interétnico através da qual poderiam ter consolidado sua auto-identidade, tornariam esses grupos mais permeáveis às novas idéias. O cartaz de propaganda da Missão Novas Tribos (...) evidencia que os isolados não são vistos exatamente como povos 'virgens': praticam atos 'selvagens', levados por impulsos que denotam serem apenas 'corpos físicos'. Segundo esta lógica, por não terem tido ainda experiência espiritual, representam o campo ideal para a concretização de todas as etapas (especialmente as iniciais, que as missões-de-fé almejam monopolizar) da engenharia cultural a que elas se propõem. Grupos isolados não oporiam defesas às inovações materiais e espirituais, que exigiriam a substituição de traços considerados 'negativos' por eliminação e adaptação aos que são compatíveis com a civilização, tida como única, universal.


O caráter coercitivo dessa estratégia está evidente no instrumento técnico que as missões evangélicas privilegiam: a língua. Todos os valores alienígenas a serem introduzidos são traduzidos na língua nativa, para serem expressos e transmitidos nos termos e modos de concepção indígena e, desta forma, apropriados. O aparente respeito à língua e à cultura é, na verdade, apenas uma instrumentalização que visa a assimilação completa dos índios ao mundo cristão/civilizado.


O cartaz [abaixo] pergunta: 'São os selvagens realmente felizes? Medo, superstição, feitiçaria, infanticídio... Algumas tribos enterram vivos seus bebês acreditando serem mau presságio. Ide em todo o mundo e pregai o evangelho para cada criatura' (Revista Brown Gold - MNTB). [Grifos meus].


GRUPIONI, L. D. B. (Org.). Índios no Brasil. 4. ed. São Paulo: Global; Braília: MEC. 2000. p.127.


Cabe salientar que algumas dessas "missões evangélicas" atuam de modo irregular, burlando leis brasileiras. Por exemplo: como já foi mostrado neste blog, missões de várias igrejas - especialmente Deus é Amor - ocuparam ilegalmente terras indígenas no Mato Grosso, para construir igrejas, queimando malocas de oração e ridicularizando/diabolizando os índios que "não aceitam Jesus como salvador" e preferem continuar em suas Tradições. Missões também retiraram clandestinamente indígenas de suas aldeias levando-os para os grandes centros do País, para que tais índios apresentem "testemunhos" de suas conversões. Uma outra missão chamada JOCUM, de origem Norte Americana, recentemente forjou e admitiu ter forjado um filme sobre infanticídio indígena, visando angariar argumentos para sua intromissão nas aldeias. Lembremos que mais de 70% dos índios Xerente já se "converteram". Se tal movimento missionário continuar se expandindo, em breve teremos a extinção de outras tantas dezenas de etnias no Brasil.


Parece que os protestantes estão levando à sério demais a frase bíblica: "Tudo posso naquele que me fortalece". Podem tudo, inclusive cometer crimes e genocídios culturais "em nome de Jesus".

Alguns links relacionados ao tema:

Blog da agência Missões Novas Tribos Brasil (MNTB), responsável pelo cartaz: http://pastornilsonmissoesmaceio-al.blogspot.com/2011_05_01_archive.html

JOCUM Brasil: Jovens com uma missão: http://www.jocum.org.br/

Mantenedor da Fé (Povo Xerente): http://mantenedordafe.org/blog/?p=1773




Matéria da VEJA sobre a expansão dos missionários protestantes entre os índios do Brasil: http://veja.abril.com.br/180407/p_108.shtml

Um comentário:

  1. Isso é inaceitável,isso remete a época do "descobrimento " do Brasil e a chegada dos padres Jesuítas,isso de forma nenhuma pode acontecer,é uma falta de ética enorme,considerando q estes índios nada fizeram,aqui o espaço será muito breve para comentários,mas em cima deste texto ,irei escrever sobre este mesmo assunto em meu blog,estarei lhe seguindo no Blogspot >> http://goticoateista.blogspot.com no Twitter @Gothicko Parabéns pelo seu texto.

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